A teoria e a história da literatura, e o Maneirismo

Matheus de Brito

Resumo


A obra Teoria da Literatura, de Aguiar e Silva (2011 [1973]), foi referência para gerações de pesquisadores em Portugal e no Brasil. Afastando-se de antigos modelos, a obra surge dividida entre interesses propriamente teóricos, universais e de caráter explicativo, e o imperativo à compreensão historicamente ancorada do objeto. A fundamentação que aí se oferece para o programa disciplinar da História Literária esforça-se por conciliar premissas disciplinares diversas e fá-lo num quadro institucional particular, hoje diferente no tocante quer aos interesses cognitivos, quer aos meios disponíveis para a investigação. Entender como se engendrou a matriz teórica desse programa é importante para pensar as possibilidades que a História Literária oferece para as Letras. Este artigo dedica-se ao conceito do literário implicado nesse modelo de História de que a Teoria da Literatura partilha e que assenta. Também procuramos justificar a busca por alternativas ao catálogo periodológico, especialmente respeitante à tese do autor sobre Maneirismo e barroco (1971).

Texto completo:

PDF

Referências


AGUIAR E SILVA, Vítor Manuel de. As Humanidades, os Estudos Culturais, o Ensino da Literatura e a Política da Lígua Portuguesa. Coimbra: Almedina, 2010.

AGUIAR E SILVA, Vítor Manuel de. Camões: Labirintos e Fascínios. 2a ed. Lisboa: Cotovia, 1999.

AGUIAR E SILVA, Vítor Manuel de. Maneirismo e barroco na poesia lírica portuguesa. Coimbra: Centro de Estudos Românicos, 1971.

AGUIAR E SILVA, Vítor Manuel de. Para a revisão do conceito de Maneirismo. In: FERRO, Manuel; FRAGA, M. do Céu; MARTINS, J.C. Oliveira(Org.). Camões e os Contemporâneos. Coimbra / Ponta Delgada / Braga: Centro Interuniversitário de Estudos Camonianos (CIEC) / Universidade dos Açores (DLLM) / UCP, 2012.

AGUIAR E SILVA, Vítor Manuel de. Teoria da Literatura. 8a ed. Coimbra: Almedina, 2011.

ALMEIDA, Manuel Pires De; MUHANA, Adma Fadul. Discurso sobre o poema heróico. Revista Eletrônica de Estudos Literários, v. 2, n. 2, p. 1–23, 2006.

ALVES, Hélio J. S. Camões, Corte-Real e o sistema da épica quinhentista. Coimbra: Centro Interuniversitário de Estudos Camonianos, 2001.

BURKE, Peter. Uma história social do conhecimento: de Gutenberg a Diderot. Rio de Janeiro: Zahar, 2003.

CAMÕES, Luís de. Obra completa de Luís de Camões. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008.

CARVALHO, Maria do Socorro Fernandes De. Poesia de Agudeza em Portugal. 2004. Universidade Estadual de Campinas, 2004.

CECHINEL, André; SALES, Cristiano De (Org.). O que significa ensinar literatura? Florianópolis / Criciúma: EdUFSC / Ediunesc, 2017.

CHARTIER, Roger. A mão do autor e a mente do editor. São Paulo: UNESP, 2014.

CHARTIER, Roger et al. Práticas de Leitura. São Paulo: Estação Liberdade, 1996.

COELHO, Eduardo Prado. Os Universos da Crítica. Lisboa: Edições 70, 1982.

CUNHA, Carlos M. F. Da. A história literária no seculo XX: o positivismo e depois. Revista de Estudos Literários, v. 1, n. 1, p. 37–57, 2011.

DENEIRE, Tom (Org.). Dynamics of Neo-Latin and the vernacular. Leiden & Boston: Brill, 2014.

ECO, Umberto. Obra Aberta. São Paulo: Perspectiva, 1971.

FRAGA, Maria do Céu. Os Géneros Maiores na Poesia Lírica de Camões. Coimbra: Centro Interuniversitário de Estudos Camonianos, 2003.

GUMBRECHT, Hans Ulrich. Corpo e Forma. Rio de Janeiro: Eduerj, 1998a.

GUMBRECHT, Hans Ulrich. Modernização dos Sentidos. São Paulo: Editora 34, 1998b.

HABERMAS, Jürgen. Mudança Estrutural da Esfera Pública. São Paulo: Editora UNESP, 2014.

KORENJAK, Martin. Geschichte der Neulateinischen Literatur. Vom Humanismus bis zur Gegenwart. München: C. H. Beck, 2015.

KOSELLECK, Reinhart; STEMPEL, Wolf-Dieter (Org.). Geschichte- Ereignis und Erzählung. München: Wilhelm Fink Verlag, 1973.

KRISTELLER, Paul Oskar. Humanism. Minerva, v. 16, n. 4, p. 586–595, 1978.

LE GOFF, Jacques. A história deve ser dividida em pedaços? São Paulo: UNESP, 2015.

MARNOTO, Rita. O Petrarquismo Português do Cancioneiro Geral a Camões. Lisboa: Imprensa Nacional Casa da Moeda, 2015.

MARNOTO, Rita. Sete Ensaios Camonianos. Coimbra: Centro Interuniversitário de Estudos Camonianos, 2007.

MORETTI, Franco. Signos e estilos da modernidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.

MUHANA, Adma Fadul. Poesia e Pintura ou Pintura e Poesia: Tratado Seiscentista de Manuel Pires de Almeida. São Paulo: EDUSP, 2002.

PATRÍCIO, Rita; SILVESTRE, Osvaldo Manuel (Org.). Conferências do Cinquentenário. A Teoria da Literatura de Vítor Aguiar e Silva. Coimbra / Braga: [no prelo].

PÉCORA, Alcir. Máquina de Gêneros. São Paulo: EDUSP, 2001.

PÉCORA, Alcir. Teatro do Sacramento. Campinas: Unicamp, 2008.

PEREIRA, Belmiro Fernandes. Retorica e eloquencia em Portugal na epoca do Renascimento. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2012.

PINHO, Sebastiao De. Humanismo em Portugal: estudos I e II. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2006.

RAMALHO, Américo da Costa. Latim Renascentista em Portugal. Lisboa: Calouste Gulbenkian; Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica, 1994.

SCHMIDT, Siegfried J. Empirische Literaturwissenschaft as perspective. Poetics, v. 8, p. 557–568, 1979.

SENA, Jorge De. Trinta anos de Camões. 1948-1978. I Vol. Lisboa: Edições 70, 1980.

SPAGGIARI, Barbara. Camões e o Outono do Renascimento. Coimbra: Centro Interuniversitário de Estudos Camonianos, 2011.

WELS, Volkhard. Der Begriff der Dichtung in der Frühen Neuzeit. Berlin & New York: Walter de Gruyter, 2009.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.



Creative Commons License Todo o conteúdo do periódico, exceto onde está identificado, está licenciado sob uma Licença Creative Commons