Por uma translíngua animal: o projeto antilogocêntrico de Gamaliel Churata

Meritxell Hernando Marsal

Resumo


Este artigo propõe pensar as práticas translíngues que se dão na obra de Gamaliel Churata como uma forma de elaboração de uma concepção de língua anticolonial e antiplatônica que, a partir dos saberes andinos, questiona os fundamentos logocêntricos da linguística e da filosofia ocidentais. Em El pez de oro e Resurrección de los muertos, o autor dialoga diretamente com Platão para propor uma língua não fundada em um ideal abstrato, que a escrita literária codificaria, mas nas práticas orais, marcadas nos Andes pelas fronteiras fluidas entre as línguas em contato. Esse modelo leva-o a discutir não só as relações de poder envolvidas na língua, mas também seus fundamentos filosóficos. Churata questiona o homem-letra por trás da cidade letrada e, impugnando uma última grande divisão da língua, aquela que separa os humanos dos não humanos, propõe uma humanidade-animal cujas práticas culturais são entendidas como energia material e vinculadas à natureza.


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DOI: https://doi.org/10.1590/1517-106X/2021232127143

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