Formas da vida interrompida: a conformação do luto em Glosa e Aos meus amigos
Resumo
Partindo do enlace entre luto e alegoria proposto por Avelar (1999), este artigo propõe uma leitura comparativa dos romances, Glosa, de Juan José Saer (1985), e Aos meus amigos, de Maria Adelaide Amaral (1992). Em ambos, a ideia de uma vida individual interrompida enseja a investigação de uma temporalidade que também teria sido quebrada. A partir disso, pensa-se uma espécie de luto em múltiplos vetores, conectado pela dimensão alegórica: o que se perde não é apenas uma pessoa, mas a possibilidade de se localizar no mundo compartilhado por ela e pelos enlutados. Tal comparação requer, por um lado, a compreensão do processo amplo de integração da América Latina aos mercados internacionais; e, por outro, atenção às especificidades de Brasil e Argentina. Partindo dessa premissa, a hipótese de leitura apresentada é a de que ambos os romances buscam uma forma à altura desse luto complexo, permitindo que ele seja de fato processado.
Palavras-chave: romance latino-americano; temporalidade; forma; Juan José Saer; Maria Adelaide Amaral.
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