Fantasmagoria e neoliberalismo no romance Onde andará Dulce Veiga?: um romance B, de Caio Fernando Abreu
Resumo
Este trabalho propõe uma leitura de Onde andará Dulce Veiga? (1990), de Caio Fernando Abreu. Considerando que o período de publicação corresponde ao da pós-redemocratização, marcado pela consolidação de políticas neoliberais que impactaram o cenário econômico e cultural, as análises pontuam como o romance constrói uma cartografia afetiva e política da experiência urbana no Brasil do final do século XX, quando a promessa democrática convive com a intensificação da desigualdade e da instabilidade laboral. Articulando fantasmagoria, precariedade e desejo, e tendo em vista reflexões de Cámara (2017), Derrida (1994) e Moraña (2017), Dulce Veiga é pensada enquanto figura espectral, cujo desaparecimento mobiliza temporalidades e processos de elaboração do luto. A investigação do paradeiro da cantora transforma-se em percurso subjetivo do narrador, no qual se sobrepõem perdas íntimas e coletivas. Ao final, o canto afirma a literatura como espaço de convivência com os fantasmas, onde criação e sobrevivência permanecem indissociáveis.
Palavras-chave: redemocratização; neoliberalismo; precariedade; fantasmagoria; Caio Fernando Abreu.
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