“Imagem justa”: écfrase e compartilhamento do luto por desaparecidos da ditadura militar em romances brasileiros do século XXI
Resumo
Este artigo investiga a utilização da écfrase como estratégia para introdução de fotografias de desaparecidos em O amor, esse obstáculo, de Micheliny Verunschk (2018), O corpo interminável, de Claudia Lage (2019), e Sobre o que não falamos, de Ana Cristina Braga Martes (2023), romances que compõem a literatura de memória da ditadura militar brasileira no século XXI. Partindo das fotografias ecfrásticas que Barthes (1984) inclui em A câmara clara, bem como das discussões de Derrida (2003), Cury (2021) e Vecchi (2021) sobre o luto pelo desaparecido e de Benjamin (1987) e Seligmann-Silva (2009) sobre a desaparição da/na fotografia, argumento que aquilo que chamo de fotografia ecfrástica traz ao público, seja ele o leitor, seja a esfera pública e política, uma “imagem justa”, nos termos de Barthes, da experiência do luto pelo desaparecido político. Sugiro, finalmente, que, através dessas imagens, os romances colocam a coletividade como participante e herdeira do luto infinito pelo desaparecido.
Palavras-chave: fotografia ecfrástica; luto; memória coletiva; desparecido político; literatura de memória.
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