História oral: uma possibilidade de justiça cognitiva no currículo

Júlio César Augusto do Valle

Resumo


O propósito deste artigo é avaliar em que medida e com que profundidade a história oral – na perspectiva de Meihy (2002; 2010) – pode ser fundamental na construção de uma possibilidade de justiça cognitiva no currículo. Para isso, parte-se de trabalhos de Costa (1999) e Valle (2013) que denunciam a parcialidade com que o currículo escolar tem tratado certas temáticas, permitindo que os alunos construam representações de identidades de grupos marginalizados – a saber, indígenas e africanos – também parciais. Sugere-se, à guisa de exemplificação, o caso das esteireiras Yombe que evidencia a perda de certos elementos da cultura de seu povo que costumavam ser transmitidos em sua tradição oral (GERDES, 2007). Isso para construir, a partir deste exemplo, um caminho que sirva de aporte teórico para pesquisas que venham a refletir sobre questões como essa. Espera-se, afinal, que, trazidas tais temáticas para o currículo escolar brasileiro, os alunos possam ouvir outra história sobre aqueles que, para estes alunos, apenas protagonizam histórias de sofrimento, escassez e miséria.

Palavras-chave


história oral, currículo, etnomatemática;

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Referências


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