A construção das personagens femininas no romance

notas sobre São Bernardo, de Graciliano Ramos

Autores

  • Amanda Souza Mello

Resumo

Ao enfatizar a representação de personagens femininas, o presente artigo analisa a trajetória do gênero romance em recortes específicos: sua consolidação no contexto europeu e seu desenvolvimento no Brasil nos períodos do Romantismo e do Modernismo. Inicialmente vinculado à ascensão da burguesia, o romance se consolidou no contexto europeu entre os séculos XVIII e XIX, atribuindo à mulher o papel de representante da família e a retratando frequentemente como esposa e mãe. No Brasil, examinam-se dois momentos: o Romantismo, marcado pela construção de personagens femininas idealizadas e com função moralizante; e a Segunda Fase do Modernismo, que apresenta uma abordagem mais crítica da realidade e uma maior complexidade na representação feminina, ainda que frequentemente mediada por perspectivas masculinas. Nesse contexto, a obra São Bernardo (1934) evidencia a permanência de estruturas patriarcais e os conflitos diante das transformações nos papéis de gênero, que podem ser relacionados ao contexto histórico de publicação do livro. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter bibliográfico, fundamentada na leitura da obra São Bernardo, de Graciliano Ramos, e no diálogo com a crítica literária e referenciais teóricos no debate sobre os gêneros.

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Publicado

2026-06-27