A história da literatura como sonho panteísta

o topos onírico na crítica literária de Jorge Luis Borges

Autores

  • Nicoly Goldschmidt Vitorino

Resumo

Este artigo propõe uma investigação em torno da recorrência de um lugar-comum na crítica literária de Jorge Luis Borges, a saber, a natureza onírica e impessoal da história da literatura. Para isso, identificamos algumas manifestações do topos que denominamos “sonho panteísta”: imagens que aludem à ideia de um universal literário, caracterizado pela noção de uma autoria compartilhada ou pela ausência de autoria do objeto literário, bem como ao motivo do sonho, que ocupa posição elementar no universo borgeano. Entre essas manifestações, destacam-se o ato de sonhar uma obra, um sonho que se repete em diferentes indivíduos, a ideia de que todos os escritores são um único escritor, o sonho como representação teatral e a homologia entre vida e sonho. O corpus desta análise é constituído por ensaios críticos da coletânea Outras Inquisições (1952), com especial atenção a “O sonho de Coleridge”, “A flor de Coleridge” e “O rouxinol de Keats”, nos quais o motivo do sonho se associa à circulação de imagens entre autores e épocas distintas. O estudo dialoga teoricamente com a noção de topoi em E. R. Curtius e com a “ciência sem nome” de Aby Warburg, voltada à investigação das sobrevivências simbólicas ao longo da história.

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Publicado

2026-06-27