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Ninfa volátil: as meninas escorregadias e inacabadas de Donizete Galvão

Maura Voltarelli Roque

Resumo


Este trabalho tem como objetivo pensar as figurações da Ninfa enquanto forma feminina em movimento, tal como vista por Aby Warburg e Georges Didi-Hubermam, em dois poemas de Donizete Galvão: “Os olhos de Charlotte Rampling”, de Pelo corpo (2002), e “Ruminadouro”, de Ruminações (1999). Mineiro de Borda da Mata, Donizete Galvão construiu uma poesia atravessada pela tensão entre delicadeza e profundidade, corpo e cosmo, morte e vida, construção e inspiração. “Antropófago da memória”, como observou Paulo Octaviano Terra, a infância e os mortos ocupam um lugar fundamental nessa “poesia menor” atenta aos fragmentos, aos resíduos e ruínas, à poeira das coisas desgastadas e levadas pelo tempo. Seguindo de perto os rastros de Drummond e, em alguns aspectos, os de Bandeira, a dimensão da “vida que podia ter sido e que não foi” também ocupa um lugar de destaque nessa poética do desejo, mas que deseja antes de tudo o perdido, o entrevisto, o que apenas passa diante de nossos olhos como um fantasma, um sintoma errante e convulsivo que inquieta nossos tradicionais modelos de temporalidade, deixando vir à tona vínculos insuspeitados entre a contemporaneidade poética e aquela que talvez possamos chamar uma cultura literária fin de siècle.


Palavras-chave


poesia contemporânea; Donizete Galvão; ninfa; imagem

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DOI: https://doi.org/10.35520/flbc.2019.v11n21a22656

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