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Linguagem e representação em Ó, de Nuno Ramos

Letícia Valandro

Resumo


O presente ensaio pretende analisar a centralidade das reflexões acerca da linguagem e da representação em Ó, de Nuno Ramos. Tais temáticas, moldadas por uma forma narrativa híbrida, levam, não sem pouca resistência, a uma aproximação com a singular obra de Clarice Lispector. Nesse sentido, busca-se mostrar que, sem perder de vista as evidentes diferenças de feitio narrativo, uma possível afinidade entre os dois escritores parece possível e pode ser pensada como uma reivindicação a uma linhagem literária formada, segundo Perrone-Moisés (2012), pelos “mais complexos escritores da alta modernidade”. Dessa forma, a obra de Nuno Ramos, no panorama literário brasileiro, parece seguir a vereda inaugurada por Clarice Lispector, que, como prontamente enfatizou Antonio Candido, encontra na linguagem e no questionamento da sua capacidade de representação o seu ponto fulcral. 


 


Palavras-chave


Nuno Ramos; linguagem; representação; Clarice Lispector.

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DOI: https://doi.org/10.35520/flbc.2020.v12n23a34752

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