Escrever contra o silenciamento do estupro: Vista chinesa de Tatiana Salem Levy

Eurídice Figueiredo

Resumo


Muitas obras literárias de escritoras brasileiras contemporâneas tratam do estupro pelo viés ficcional, o que demonstra a necessidade de romper a barreira do silenciamento em relação a esse crime cometido contra as mulheres. O ineditismo do romance Vista chinesa (2021), de Tatiana Salem Levy, reside no fato de ter sido baseado em fatos reais, revelado numa nota da autora no final do volume, na qual ela conta a genealogia do livro: em 2014, uma amiga foi estuprada nas proximidades da Vista Chinesa; em 2018, ao se descobrir grávida de uma menina, Tatiana Levy decidiu retomar algumas notas feitas desde então e prosseguir a escrita, pensando que as meninas têm de saber. Nessa nota, a amiga decide assumir publicamente seu nome afirmando que não tem vergonha e faz questão que todos saibam que isso realmente aconteceu com ela, Joana Jabace.

Palavras-chave


Tatiana Salem Levy; Vista chinesa; estupro; literatura brasileira de autoria feminina.

Texto completo:

PDF

Referências


ABDULALI, Sohaila. Do que estamos falando quando falamos de estupro. Tradução de Luis Reyes Gil. São Paulo: Vestígio, 2019.

BEI, Aline. O peso do pássaro morto. São Paulo: Nós, 2017.

DESPENTES, Virginie. Teoria King Kong. Tradução de Márcia Bechara. São Paulo: n-1 Edições, 2016.

DOSTOIÉVSKI, Fiódor. Memórias do subsolo. Tradução de Boris Schnaiderman. São Paulo: Editora 34, 2009.

FIGUEIREDO, Eurídice. Por uma crítica feminista: leituras transversais de escritoras brasileiras. Porto Alegre: Zouk, 2020.

FORTUNA, Maria. Como é ser estuprada e continuar? Segundo Caderno. O Globo. Rio de Janeiro, 19/02/2021. p. 1.

FREUD, Sigmund. Luto e melancolia. Tradução de Marilene Carone. Apresentação e notas da tradutora. Apresentação de Maria Rita Kehl. Posfácio de Urania Tourinho Peres. São Paulo: Cosac Naify, 2011.

KEHL, Maria Rita. Ressentimento. São Paulo: Boitempo, 2020.

LEVY, Tatiana Salem. Parte II. Pós-escrito. In: ______. Tese de doutorado. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, 2008.

______. A chave de casa. Rio de Janeiro: Record, 2009.

______. Vista chinesa. São Paulo: Todavia, 2021.

NASCIMENTO, Evando. Autoficção como dispositivo: alterficções. Matraga. Rio de Janeiro: UERJ, v. 24, n. 42, set./dez. 2017. pp. 611-634. Disponível em https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/matraga/article/view/31606/23295.

TISSERON, Serge. Secrets de famille, mode d’emploi: Quand et comment faut-il en parler? Paris: Ramsay, 1996.

VIGNA, Elvira. “Foi ao sentir o cheiro dele que Izildinha deu a primeira relaxada”. In: LEAHY, Cyana (Org.). Todos os sentidos: contos eróticos de mulheres. Niterói: C.L. Edições Editora/Zit Gráfica e Editora, 2004.

WITTIG, Monique. As guerrilheiras. Tradução de Jamille Pinheiro Dias e Raquel Camargo. São Paulo: Ubu, 2019.




DOI: https://doi.org/10.35520/flbc.2021.v13n25a42859

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - NãoComercial 4.0 Internacional.

 A revista Fórum de Literatura Brasileira Contemporânea utiliza Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.


INDEXADORES E BASES DE DADOS

Google Scholar  Diadroim Base   DRJI  Livre     PKP Index ErihPlus Latindex