“Teu braço, tua vontade no momento que tu escreveu”
A palavra que resta, de Stênio Gardel
DOI:
https://doi.org/10.35520/flbc.2025.v17n33e73313Resumo
Janet Gurkin Altman, em Epistolarity: approaches to a form, estudo sobre a literatura epistolar, reconhece que o objeto da carta em um romance apresenta uma dupla característica: “sugerir presença e ausência, diminuir e aumentar a distância” (Altman: 1982, 15). Assim, quando pensamos em cartas, bilhetes e cartões postais, verificamos que esses meios serviram como modo de presentificar aquele que partira, podendo ser uma forma de companhia mesmo que à distância. Tendo em vista essa mobilização provocada pelo texto escrito, quando lidamos com um destinatário que não sabe ler, ocorre uma fissura diante da possibilidade de encontro pela ausência. Em A palavra que resta, primeiro romance publicado por Stênio Gardel, Raimundo sofre dessa barreira quando recebe a carta de seu amante na juventude. De uma carta que não pode ser lida, um livro surge como resposta. Este ensaio desenvolve um caminho interpretativo que se pauta pelo procedimento do endereçamento: em determinadas circunstâncias, no livro de Gardel, há um tu, fala-se com alguém, que de certa maneira se transforma em uma resposta para aquela carta não lida.
Palavras-chave: A palavra que resta; Stênio Gardel; carta; endereçamento.
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