O que escapa à margem: quatro cenas de desmarginação e o esforço humano da forma na tetralogia A amiga Genial, de Elena Ferrante

Iara Pinheiro

Resumo


O termo smarginatura, traduzido como ‘desmarginação’, é apresentado no primeiro volume da tetralogia A amiga genial (2011), de Elena Ferrante. A nomeação, no entanto, é posterior. O mal-estar da ausência de forma só ganha alguma forma, a da linguagem, no último dos quatros livros. Neste ponto, cenas anteriores são retomadas e enfim nomeadas. O presente artigo propõe a leitura de quatro cenas de desmarginação para pensar a busca pelo contorno como luta contra desintegração. A partir do romance A paixão segundo G.H. (1964), de Clarice Lispector, e do ensaio Frantumaglia (2016) - palavra em dialeto napolitano e derivada do vocábulo italiano frantume, referente a caco, fragmento e destroço -, também de Ferrante, serão destacados dois movimentos ambivalentes de tentativa de garantir forma ao amorfo, na tetralogia, e os efeitos, também narrativos, da perda de margens.

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