Kafka poeta trágico

Autores

  • Simone Brantes

Resumo

A novela de Kafka “O veredito” não termina apenas pela queda do filho, mas também pela do pai, cujo baque sobre a cama ele ouve em sua carreira para o rio onde vai executar a condenação saltando a amurada da ponte. Entre a vida e a morte, na Rússia distante, convulsionada pelas revoluções, resta o fantasmagórico amigo de Petersburgo. Das relações sociais e econômicas e afetivas na pátria, apenas a maquinaria do tráfego sobre a ponte. Um tráfego “infinito”, onde infinito indica, em sua falta, o horizonte que funda a experiência trágica. Essa indicação do infinito pressupõe para ele uma presença, ainda que no negativo, que só é possível se considerarmos que, para além do tráfego sobre a ponte, há no fim não outro sobrevivente, mas alguém que nasce no “afogamento”: o duplo do amigo de Petersburgo, um outro fantasma: o escritor. É esse fantasma que alcança essa presença desde onde é possível apontar a falta em seu mundo, o mundo capitalista do século XX, do que garante a experiência trágica. A análise se encerra pela aproximação entre duas construções que são aparentemente as mais díspares: a ponte de Kafka (Die Brücke) e a ponte de Heidegger (Construir, habitar, pensar).

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Publicado

2019-03-14