Narcocultura e representação: a renovação estética do realismo mágico na autoficção

Isabel Cristina Costa Louzada

Resumo


Neste ensaio são discutidos alguns aspectos da literatura colombiana contemporânea em relação ao contexto sociocultural do narcotráfico, particularmente aquele retratado na obra A Virgem dos sicários (1994) de Fernando Vallejo. A ideia é empreender uma leitura dessa obra por meio do fenômeno da narcocultura e também a partir do que Josefina Ludmer veio a chamar de “literaturas pós-autônomas”, o que inclui a “autoficção”. Nesta análise, se evidencia a ascensão de novos modelos narrativos que, na obra em questão, envolvem a narcocultura como desmistificação da Colômbia do realismo mágico. A análise considera como a narcocultura se apropria de elementos da tradição latino-americana, como a religiosidade, e os ressignificam com novos valores e sentidos no mundo do tráfico de drogas por meio da violência e do dinheiro. Para a compreensão da dimensão do narcocultura, serão utilizadas principalmente as proposições de Omar Rincón (2013), estudioso do fenômeno. A obra retrata a problemática da violência e dos imaginários dos novos grupos sociais gerados pelo narcotráfico na Colômbia por meio de uma narrativa crua, violenta, e depreciativa. Esses imaginários seriam advindos da reterritorialização promovida no interior das ilhas urbanas como descritas por Ludmer, e, neste romance, contribuiriam para um processo de profanação da nação que era até então concebida pela literatura tradicional do boom.

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