Sereias brincantes; intrépidos, decrépitos navegantes: O silêncio da modernidade

Autores

  • Cassiana Lima Cardoso UFRJ

Resumo

Pensar a ficção na modernidade: Eis o que se busca nesse breve ensaio. Certamente não o faremos com grandes pretensões: o tema é espinhoso, complexo e instável. Além disso, como é próprio dos objetos da arte, as obras literárias sobre as quais pretendemos falar não nos autorizam um olhar peremptório: Homero, Kafka e Beckett são artífices cujas obras possuem tal dinâmica formal, cada qual com sua respectiva singularidade, que uma investida que se proponha a analisá-las, afim de oferecer respostas às infindáveis questões que nos são sugeridas por cada uma delas, poderia, sem exageros, se configurar em um exercício de insensatez. Mas o que há de mais insensato que a edificação de castelos no ar? Certamente não é assim que pensam os poetas: “Tudo que não invento é falso1 ”; “ Vi terras de minha terra/Por outras terras andei/ Mas o que ficou marcado/ no meu olhar fatigado/ Foram as terras que inventei”... Forjar novos mundos, reinos desconhecidos, percepções inteiramente dissociadas da experiência cotidiana... Seriam esses os pressupostos da ficção? O presente ensaio que aqui se inicia pretende navegar por tempestuosas, luminosas, obscuras águas: O Canto XII, da Odisseia de Homero, o conto O silêncio das sereias, de Franz Kafka e a novela Malone Morre, de Samuel Beckett.

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Publicado

2010-05-30

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Artigos