A biografia na perspectiva unamuniana

Cristiane Agnes Stolet

Resumo


A dificuldade em se definir uma linha teórica para pensar a biografia sob o entendimento unamuniano se agrava com a afirmação do autor a respeito do que seria autobiografia: toda obra vital. A existência de uma grande diversidade textual do pensador dificulta a compreensão da declaração de Miguel de Unamuno. Diante de tal complexidade, a ideia de espaço biográfico (Arfuch, 2010) dialoga diretamente com a perspectiva unamuniana, pois dá margem à possibilidade de inserção do elemento biográfico em qualquer obra, já que, conforme a noção instaurada, deslocase o debate biográfico do âmbito dos gêneros para o âmbito espacial. O autor espanhol (ainda que bem anterior cronologicamente) parece confluir e radicalizar esta direção ao compreender toda obra viva como autobiográfica, antecipando, de certa maneira, a vertente que ficou conhecida como desconstrutivismo. Não se objetiva aqui pensar diretamente as influências de outros autores na ou da obra de Miguel de Unamuno nem se ater aos desdobramentos de cunho teórico na discussão sobre o autobiográfico / o autoficcional (com questionamentos dicotômicos acerca do factual / ficcional, público / privado, sujeito / objeto, etc), haja vista a riqueza de estudos empreendidos com estes propósitos. Propõe-se, em contrapartida, a pensar o que seria o autobiográfico para Miguel de Unamuno a partir de duas instâncias básicas: a própria formação do vocábulo autobiografia, onde encontramos três radicais gregos (vale ressaltar o conhecimento de Miguel de Unamuno da língua grega) e a obra mesma do autor, com ênfase no texto Cómo se hace una novela.

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