Belazarte E Os Engodos Da Modernização Brasileira leitura da crônica “O diabo”, de Mário de Andrade

Wilson José Flores Jr

Resumo


Na crônica “O diabo”, de Mário de Andrade, o narrador e um amigo, Belazarte, tornam-se vítimas de engodo relativamente simples e bastante eficiente: assumindo uma aparência respeitável e consagrada pelo costume e contando com “vítimas” predispostas a não duvidar da tradição, o diabo passase por uma moça tímida, submissa até, e “fatalizada” a fazer aos outros felizes. O logro de Belazarte e do narrador remete ao poder de confusão, baralhamento e sedução da realidade brasileira, profundamente marcada como ainda está (e estava nos anos 20) por processos sucessivos de modernização pautados, em certa medida, na reposição de estruturas ligadas à colônia, à lógica patriarcal da dependência pessoal e do favor, da proteção dos “amigos” e da exploração (ou eliminação) dos outros.

Palavras-chave: Mário de Andrade, Belazarte, Modernismo, narrativa brasileira moderna, modernização.


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Referências


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