O Náufrago: a individualidade em colapso

Juliana Nascimento Berlim Amorim

Resumo


O Náufrago, de Thomas Bernhard, é um romance que dá prosseguimento à tradição moderna do desfacelamento da estrutura romanesca linear. Construído sobre fragmentos de memória de um narrador-personagem, o tempo passado dá a tônica das ocorrências do presente, meras decorrências de situações anteriores definitivas, o que resulta em um monólogo interior niilista, pessimista, rascante, exageradamente crítico e que por isso, em determinados momentos, beira o humor, muitas vezes intencional e típico da escrita de  Thomas Bernhard, autor conhecido pela alta voltagem de sua violência verbal. Nesse ponto, é escusado dizer que a obra de Bernhard não é em nada rotulável, em especial se levarmos em conta sua soberba capacidade retórica, única na literatura de língua alemã contemporânea, quiçá mundial.


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Referências


BERNARD, Thomas. Alte Meister. Kom¶die. Frankfurt/Main: Suhrkamp: 2004.

BERNHARD, Thomas. O Náufrago. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. Tradução de Sérgio Tellaroli.

HUYSSEN, Andreas. Memórias do Modernismo. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 1997. Tradução de Patrícia Farias.

REICH-RANICKI, Marcel. Sein Heim war unheimlich. In: Thomas Bernhard. Aufsätze und Reden. Mit Fotografien von Barbara Klemm. Zürich: Amann, 1990.


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