O PAI DE POE, O PAI DE AUGUSTO E MEU PAI: CONVERGÊNCIAS SIMBÓLICAS E TROCAS EXISTENCIAIS

Aderaldo Luciano dos Santos

Resumo


Certa vez meu amigo Nonato Gurgel horrorizou-se ao ouvir-me dizer que ainda hoje choro a ausência de meu pai. Dizia ele que na quadragésima casa dos anos era inadmissível esse tipo de problema interior. Não pude argumentar àquela hora que chorar a ausência não equivale a se ter ou não um problema, aliás, o problema existiria caso houvesse a presença, fosse ela material ou fantasmagórica. A ausência é a lacuna e chorar a lacuna não é um ato em defesa do seu preenchimento, uma lágrima oriunda do oceano dos desesperos, uma seta, uma flecha fincando-se no estômago, atirada pelo escarcéu do que não foi. Respondo agora a Nonato, daqui do oitavo andar, nesta casa cuja acolhida tem preenchido minha lacunar produção intelectual.


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Referências


ANJOS, Augusto dos. Eu e outras poesias. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998.

POE, Edgar Allan Poe. Ficção Completa, Poesia e Ensaios. Rio de Janeiro: Aguilar Editora, 1965.


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