A retórica do fagmento em 2666, de Roberto Bolaño

Raphaella Lira

Resumo


Toda obra literária necessita, como afirma Umberto Eco, de um título. Querendo ou não, é nesse mesmo título que o escritor irá oferecer as primeiras possibilidades interpretativas de sua obra ao leitor. Sabendo disso, qual o questionamento que levanta 2666, de Roberto Bolaño? Um título que, à primeira vista, já alude ao imaginário apocalíptico cristão, antecede que tipo de narrativa? Quais são os enigmas que guardarão suas páginas? O escritor argentino Alan Pauls, em um artigo de opinião sobre a obra de Bolaño, afirma que 2666 é um título misterioso. “De que se trata? Uma chave numerológica? Um toque de milenarismo satânico?”, se questiona Pauls, ainda tentando ler no número escolhido para título algo que deixe entrever, não só, as páginas que por ele são compreendidas, mas também uma chave de interpretação que desvele essa escolha tão pouco usual.

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Referências


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