Breve ensaio sobre leitura e fontes primárias

Plínio Fernandes Toledo

Resumo


E por falar em fontes primárias, um livro singularmente honesto a respeito de Nietzsche começa com uma franca tomada de posição: “Este livro é uma tentativa de ficar do lado de Nietzsche”1 Mas para quem pensa que a partir daí constrói-se uma apologia ingênua a autora adverte: “É impressionante a quantidade de novos livros dedicados a Nietzsche. O que fazer a respeito?” E conclui razoavelmente: “Continuar lendo o próprio Nietzsche, eu creio”. O que nos leva a nossa pergunta: Por que estudar filosofia ou qualquer forma de literatura em seus textos originais? Existem vantagens consideráveis no estudo das fontes primárias? A vantagem mais óbvia reside naturalmente no fato de que o cuidado no exame do texto original evita uma compreensão deturpada do mesmo, ou melhor, uma compreensão de segunda ou terceira que não garante, por mais “confiável” que seja o intérprete, a fidelidade mínima ao pensamento original do autor. Sabemos dos estragos que fizeram, e ainda fazem as interpretações da obra de Nietzsche. Fazem mais estragos com a história que não deixa de ser revista. Heróis transformam-se em vilões; barbados tornam-se glabros e as orelhas de burro crescem nas delicadas frontes de Dioniso. O profeta do nacional socialismo é destituído de seu posto nada honrado mediante o recurso a um único fragmento póstumo: “NB. Contra ariano e semítico. Onde raças são misturadas, o manancial da grande cultura.” [NIETZSCHE. KSA 1 (153)].

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Referências


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