To the Lighthouse: A potência do corpo dilacerado

Brena Suelen Siqueira Moura

Resumo


A morte do autor insere-se como uma experiência paradoxal com a linguagem, pois há esse intermitente jogo de presença e ausência, tendo em vista que a linguagem se organiza a partir do vazio. Em To the Lighthouse (1927) há este jogo de ausência e presença por toda a narrativa, ainda que a obra de Virginia Woolf possa ser dita, por ora, uma obra acabada, finalizada, considerando o fechamento da narrativa com a ida ao farol levando somente os remanescentes da família Ramsay e o penoso término do quadro por Lily Briscoe após a volta à casa depois de dez anos. Desta forma que há uma dimensão de perda, apocalipse e morte a partir da afirmação do término do quadro no final do romance por parte da pintora. Perda esta que já é sinalizada, aliás, em outros tantos momentos na narrativa, como no final do primeiro capítulo, The Window, quando o jantar foge ao controle da matriarca Mrs. Ramsay; Ou senão, no segundo capítulo, Times Passes, quando há total destruição, devastação da casa com o passar da guerra. Todas essas cenas trazem a dimensão da obra fracassada, sinalizando a exoneração do autor, deixando até mesmo o leitor em completo desamparo. Há, assim, o perigo que ameaça a relação conceitual entre ambos, pois somos levados não pela vontade do autor de construir sua obra, mas sim pela escrita que a toma para si, destituindo o controle do autor sob sua própria escritura, dando-lhe uma dimensão imensa de luto e mal-estar.

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