Para uma leitura dos arranjos de Alberto Pucheu

Maurício Chamarelli Gutierrez

Resumo


No bloco unitário a primeira estranheza. Massas acinzentadas, aglomerados de letras, corpúsculos compondo, na página, um corpo único e maior. A princípio, o sentido enviando seu batedor, seu emissário mais flácido, mais magro e lento: o significado. Ou antes: uns significados, pois, se algum sentido comparece ali, é na condição de multiplicidade, de variedade extrema, é diferindo de frase para frase ou de trecho para trecho. E não se sente um crescendo, um contínuo. Se é fácil passar de uma parte à seguinte, será uma terceira que lançará uma luz inesperada sobre a intermediária, aumentando a distância entre as duas primeiras. A associação livre do arranjo parece ser de sinapses curtas, chega-se bem do segundo ao terceiro ponto, mas nisto o primeiro já se perdeu num abismo. Como, talvez, num esbarro, no esbarro de que Alberto Pucheu tanto parece gostar. No qual as frases se tocam uma à outra e esta a uma terceira. E só. Sem elo maior ou plano suplementar de unidade

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Referências


PUCHEU, Alberto. A fronteira desguarnecida: poesia reunida 1993-2007. Rio de Janeiro: Beco do Azougue, 2007.

RIMBAUD, Arthur. Prosa poética. Tradução prefácio e notas por Ivo Barroso. Rio de Janeiro: Topbooks, 1998.


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