Uma brisa heteronímica nos contos de Florbela Espanca

Aline Alves de Carvalho

Resumo


Mesmo que Florbela Espanca se aventure, como pouco se sabe, pela prosa, pode-se dizer que assim não abre mão de pinceladas poéticas. Até mesmo nos contos em que o enredo é marcantemente linear, o lirismo, típico da poesia, não deixa de estar presente. Sua pena -- ou pincel -- se apresenta absolutamente tragada pela escrita moderna interferindo na forma tradicional, na qual o narrador sempre está no seu privilegiado posto de observador, fingindo não se envolver com o que conta, e aceitando que seu texto realmente não é parte de si. Felizmente, Florbela Espanca transborda de si esses pequenos universos quase vivos mesmo que presos ao papel, e cada personalidade assumida em seus sonetos reaparece nos contos sob o status de personagem.

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Referências


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