Espaço e mulher em Lésbia, de Maria Benedita Câmara Bormann

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O enredo de Lésbia, romance de autoria de Maria Benedita Bormann, narra a trajetória de uma mulher dedicada às letras após separação matrimonial até sua formação como escritora. Metalinguístico, vida e arte se fundem na obra que relata as experiências de uma autora de textos literários no século XIX. À época, o espaço público era reservado aos homens; as mulheres deveriam ocupar o território doméstico e se desdobrarem em cuidados maritais e maternais. Não podiam ultrapassar os limites desse espaço reduzido e, consequentemente, não podiam desempenhar ações que não lhes competiam como a literatura. A autora escreve um livro que declara as normas vigentes do século XIX enquanto, ao mesmo tempo, rompe com as tradições destinadas às mulheres. Nesse movimento de autoridade experimentado pela protagonista que goza reconhecimento com seus textos, o mito da domesticidade é deposto. Em Lésbia a mulher não é trivial ou dona de casa, e esbanja conhecimentos, reconhece e cita filósofos, poetas, autores, domina outra língua que não seja a materna. Na narrativa, este procedimento de insubordinação à pré-determinação dos espaços ocupados por homens e mulheres mira no intento de desmantelar o patriarcado que angustia, em muitos estratos, a vida da mulher.

Биография автора

Juliana Telles de Sant'Anna Monte-Mor, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Possui graduação em Desenho Industrial pela UNESA, Licenciatura Plena no curso de Letras (Português - Literaturas de Língua Portuguesa) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, especialização em Literatura infantil e juvenil pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mestre, pela mesma instituição, do Programa de Pós-Graduação em Letras Vernáculas da Faculdade de Letras, com dissertação sobre a poesia de Adélia Prado.

Библиографические ссылки

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Опубликован

2022-06-11

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