Otim, o anagrama do mito

Julia Magalhães de Oliveira

Resumo


O presente artigo procura trabalhar a imagem mítica de Otim em uma tentativa de encontrar perspectivas que relacionem este plano subjetivo e sua recorrência na realidade. Trata-se de um mito cuja problemática central gira em torno de uma questão de gênero, cuja latência do feminino se expande e culmina em uma espécie de catarse líquida, na qual a mulher se transforma em mar. A violência desta transformação se realiza desde um contexto de agressão cuja origem parte de um aspecto da natureza do corpo feminino. Esta proposta contempla um exercício de recriação estética que objetiva incitar uma análise crítica focada na ideia de destino, no caráter coercitivo do mito, e do movimento contrário a ele (o anagrama do mito).

Palavras-chave


Mito; Mulher; Mar; Corpo; Violência

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Referências


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