Configurações do estrangeiro no texto de Vassilis Alexakis

Claudia Almeida

Resumo


No mundo contemporâneo, um certo “desejo de errância” (MAFFESOLI, 2006) encoraja a mobilidade de indivíduos ou de grupos e motiva o estabelecimento de novas relações sociais. Esses sujeitos deslocados e frequentemente desenraizados (TODOROV, 1999) expõem as diferenças entre os mesmos e os outros, provocando reformulações nos processos de construção identitária. A pluralidade torna-se, pois, uma realidade e levanta, amiúde, suspeitas em relação aos bárbaros (TODOROV, 2010). De fato, essas presenças do outro (LANDOWSKI, 2012) impõem a coexistência – não necessariamente pacífica – de modos de vida originários de outros lugares e a escolha de estratégias de admissão ou de rejeição. Esses indivíduos, por sua vez, posicionam-se nas sociedades que os acolhem entre os polos da assimilação ou da recusa. As fricções que resultam desses contatos produzem faíscas que apontam novos caminhos ou iniciam incêndios. Na obra de Vassilis Alexakis, a presença de estrangeiros é recorrente. Várias vezes narrador do texto, esse personagem deslocado ilustra e discute as diferenças e suas consequências, buscando exemplos nas sociedades francesa e grega. Neste texto, analisamos algumas configurações do estrangeiro e as negociações identitárias das quais participa

Palavras-chave


Vassilis Alexakis; Estrangeiro; Desenraizamento; Construção identitária

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Referências


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