O Teatro São Pedro de Alcântara, Maria Baderna e algumas memórias do Rio de Janeiro do século XIX

Robson Dutra, Vera Aragão

Resumo


O objetivo deste artigo é apresentar o Teatro São Pedro de Alcântara, construído no Rio de Janeiro, no século XIX, numa época de transformações que alteraram significantemente a paisagem da cidade na tentativa de aproximá-la do padrão europeu. Foi nele que se apresentou Maria Baderna, bailarina italiana que, com sua arte e performance revolucionárias, impulsionou o ballet no Brasil para, subvertendo os padrões da época, aproximar-se de ritmos populares brasileiros através da dança. Desse modo, pretendemos analisar este teatro à luz dos conceitos propostos por Jacques Le Goff e Pierre Nora, respectivamente, como monumento e lugar de memória inseridos no ideal de progresso e civilização requerido para atender ao que se pretendia para a cidade. Consideraremos, igualmente, a ambiguidade inerente a Baderna que, ao oscilar entre o erudito e o popular, aos olhos da sociedade oitocentista, transitou entre bailarina e dançarina, ou seja, entre o sagrado e o profano.

Palavras-chave


Memória Social; Bailarina; Sagrado/Profano.

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