O QUE NOS AFASTA DA CIÊNCIA? REFLEXÕES EPISTEMOLÓGICAS A PARTIR DA PANDEMIA DA COVID 19

Reflexões epistemológicas a partir da pandemia da COVID 19

Por Patricia Silveira Rivero - Professora do Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos, do Núcleo de Políticas Públicas em Direitos Humanos, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPDH/NEPP-DH/UFRJ).

Sabe aquele chazinho, de guaco e mel, que a nossa avó nos indicava? Ele não faz mal, ele faz muito bem, e até pode ajudar você a se curar da gripe comum. Mas talvez ele seja bom para a você e não para o seu vizinho, que fuma muito, tem problemas pulmonares e seu organismo tem poucas vitaminas e minerais que ajudem a aumentar a imunidade. Mas eu não sou nem médico e nem infectologista, então, sobre sua saúde não posso lhe dizer muito mais do que isso. No entanto, eu sei que você me entendeu.

Em época de pandemia, ou seja, quando o novo Coronavírus já tem a capacidade de infectar pessoas em diversos países, fora do local onde ele surgiu, e começa a se desenvolver em diferentes lugares em função das condições locais, recebemos muitos dados e informações. Nos vemos obrigados a ler e apreender novas palavras, numa linguagem que a gente não conhece, e muitas vezes não compreendemos. O que podemos fazer para entender?

Basicamente, duas coisas: 1) irmos nos buscadores, e procurar os significados das palavras que ali aparecem. Leva tempo, mas nos ajuda a compreender um pouco mais. Às vezes, um termo científico é explicado por outros que também não conhecemos. E como estamos com pressa, na melhor das hipóteses, tentaremos compreender usando não só os nossos conhecimentos prévios de biologia, se os tivermos e ainda lembrarmos deles, assim como também a nossa lógica. Mas o que é a lógica? Existem diversas definições de lógica, mas pode ser entendida como uma “disciplina que trata das leis de argumentação e raciocínio corretos, dos métodos e dos princípios que regem o pensamento humano.” (Keller e Bastos, 2000: 15). Indica a possibilidade de realizar relações entre os fatos e suas explicações, que façam sentido. Assim, tentar compreender, não só os termos, mas também a relação deles com os fatos, que muitas vezes são números (de infectados, de mortes, de tempo, de população), é um processo de aprendizado que toma o seu tempo. Mas se ainda assim não ficar claro e se não tivermos tempo para apreender? 2) tentaremos fazer uso do que geralmente se entende como “senso comum”. Isso está errado? Não, o senso comum, que também estabelece relações entre eventos baseados na experiência, pode ajudar. Mas devemos saber que o senso comum está permeado pelas nossas crenças, os nossos valores, nossas tradições, preconceitos, medos, gostos e desgostos. Então, muitas vezes ele pode nos enganar.

Earl Babbie (2000), um sociólogo e metodólogo norte-americano que trabalha e propõe diversas técnicas para a análise científica na pesquisa social, diferencia o conceito de ciência do de senso comum.

Para ele, a ciência está envolvida com a procura de um valor fundamental: a verdade. E para aceder a ela é necessário observar a realidade. À diferença do senso comum, a ciência tem um olhar direcionado para aquilo que quer explicar, seleciona. Tem caráter lógico, ou seja, não é uma falácia, portanto, a forma de raciocínio não está baseada em argumentos falsos. Nesse caso o autor coloca um exemplo do pensamento ilógico: quando fazemos com que a exceção confirme a regra, ou quando poucos casos são generalizados para toda uma população. Em relação ao nosso chazinho, quando supomos que ele curou a minha gripe, e, portanto, vai curar a gripe de todos. Mas no debate entre as possíveis curas para a COVID 19, temos verificado que pessoas alheias à ciência, especialmente políticos, defendem, o uso da cloroquina. Nesse caso, a falácia seria: como temos uma substância, que em combinação com outras, ajudou a curar alguns pacientes internados com o novo Coronavírus, em condições hospitalares controladas, é deduzido que ela poderia curar tudo mundo, independente das condições e circunstâncias em que seja administrada. O fato de que sua efetividade tenha sido comprovada para casos específicos, ainda não permite o seu uso generalizado para todos os casos, como o explica o principal infectologista americano, Anthony Fauci, que comanda a equipe da Casa Branca para combate à pandemia.[1] Outro exemplo recente de falácia lógica tem se constatado quando algum chefe de estado afirma que a pandemia é uma “gripezinha”, independentemente de que dados de estudos científicos no mundo inteiro mostrem que para um percentual importante daqueles infectados (20%), o vírus pode provocar complicações respiratórias graves, e a taxa de mortalidade sobre os infectados, na maioria dos países oscila entre 2% e 10%.[2]

Por esse motivo, a ciência, está interessada em provar a teoria na realidade dos fatos (caráter empírico). No nosso caso, deveria ser provado que é o chá e não outra coisa, que cura a minha gripe e também a gripe dos outros, ou é a cloroquina que cura todos aqueles infectados da COVID 19 (ou pelo menos a um amplo percentual dos infectados). Ou finalmente, o mencionado chefe de estado deveria citar dados e informações de fontes científicas confiáveis, que confirmem sua afirmação. Sem essas condições estaremos perante falácias do ponto de vista lógico e empírico. Então a procura da verdade na ciência está na construção lógica de argumentos, como também na comprovação na realidade dos fatos. Sim, isso é uma parte importante do conhecimento científico, dirá Thomas S. Kuhn ([1969] 2013).

É muito interessante, que Earl Babbie, de forma sintética e simples, divide a compreensão da realidade para explicar a diferença entre ciência e senso comum, em três etapas: pré-moderna, moderna e pós-moderna. Na primeira, o que importa é a crença. Portanto, independentemente do fato em si, quando um chefe de estado afirma que “brasileiro pula em esgoto e não acontece nada”[3], como forma de assegurar que a população mais pobre que vive sem saneamento básico, teria anticorpos para um vírus que é novo, isso pode se tornar “verdade” para o grupo que segue esse líder, e não precisará de demonstração pelos fatos (dados). Também, é provável, que quem vive sem acesso à rede de esgoto, que segundo dados do IBGE são 74,2 milhões de brasileiros[4], dada a impossibilidade de sair no imediato da sua situação, seja influenciado por essa crença. Embora, as informações recentes vindas de estudos de caso nos Estados Unidos, já estejam indicando que o novo Coronavírus está afetando sim as populações mais pobres e com menor acesso a serviços de saúde.[5]

A crença como a fé, não estão submetidas a provas de verificação ou de refutação da ciência. E a crença pode ser desenvolvida em função das características extraordinárias de um evento (ficar imune perante uma doença para a qual ainda não há cura) ou que emanam do discurso de um ser carismático no qual é depositada a confiança (Weber, 2004). No caso específico, a força dessa afirmação está baseada na crença e na autoridade daquele que a pronúncia, assim como no carisma atribuído a este, proveniente do campo da política ou do campo da religião, e não do campo da ciência. Voltaremos à questão dos campos mais adiante. Na concepção moderna de realidade, a ciência positivada, tem suas regras, tanto para elaborar o discurso como para provar que algo é verdadeiro. Para o sociólogo Max Weber (1919), o político se orienta por um objetivo instrumental, atingir o poder, enquanto o cientista tem por objetivo a procura de um valor, a verdade. O que não necessariamente significa que políticos não desejem trabalhar com a verdade como valor, ou que na atividade científica não haja uso do poder político. Esses elementos sempre se misturam. No entanto, quem concorde com Max Weber, pensará que cada um deles tenderá a procurar o que é mais caro a sua atividade (Weber, 1997). Finalmente, na noção de realidade pós-moderna, a realidade dificilmente é apreensível, incluído o discurso científico, já que “não haveria uma realidade objetiva que observar, senão só pontos de vista subjetivos”, ou diversos discursos do mesmo valor (Babbie, 2000). Esse debate tem a ver com o tema dos mecanismos de poder, e como ele se distribui e atravessa as classes, grupos e instituições na nossa sociedade.

Em relação à procura da verdade, o mais importante é o caminho que se percorre para sua procura. De novo a lógica entra em jogo. Neste sentido, outro cientista, Karl Popper (1902), coloca novamente a procura da verdade como uma meta, um valor a ser alcançado, sabendo que a verdade sempre é provisória.

Mas, para não perdermos o fio da meada, continuemos com a separação que Earl Babbie faz entre ciência e senso comum ou experiência. Esse cientista dirá que a ciência, além de procurar a verdade, tentará se aproximar da realidade dos fatos. É claro, sempre haverá alguém que vai questionar: mas existe a verdade, qual verdade, não são várias verdades, ainda mais em tempos de pós-verdade?

Outra questão será: o que é a realidade, como podemos apreender essa realidade, se a realidade são fatos e os fatos mudam, como podemos saber quais são os fatos reais e os que não são reais? Mas será que os fatos se apresentam como eles são ou eles dependem da percepção de quem os examina?

Essas perguntas não são novas. Os filósofos gregos já tinham esses questionamentos e procuravam respostas. Platão, discípulo de Sócrates, foi aquele que imortalizou o método dialético socrático em palavras escritas.

Neste texto não temos pretensão, e nem o tempo (sempre o tempo) de aprofundarmos nelas. Mas, indicamos ao leitor que esteja interessado, um livro do Platão chamado Teeteto (Platão, s/d). Nele, Platão descreve o diálogo entre Sócrates e um dos seus discípulos, Teeteto, usando uma forma de aproximação à verdade chamada de maiêutica socrática. Através de perguntas e respostas entre o mestre e o seu discípulo, há um diálogo tentando definir o que é a ciência. Nesse diálogo, usando o questionamento permanente das certezas das quais sempre parte o seu discípulo, Sócrates consegue chagar ao reconhecimento final da permanente ignorância. A partir desse ponto, no qual mestre e discípulo eliminam todos os conceitos que não definem a ciência, estariam criadas as condições para chegar ao conhecimento da verdade. Isso se ressume na tão conhecida frase de Sócrates: “só sei, que nada sei”. Mas e então, não estaríamos num ponto ainda pior para sabermos o que é a ciência? Não, só estaríamos abertos agora a percorrer o caminho em direção à verdade, utilizando o método que muitos séculos depois Karl Popper vai chamar de refutação ou refutabilidade.

Então, Karl Popper (1902) no seu livro intitulado “A lógica das ciências sociais”, levanta duas teses principais: 1) conhecemos muito e 2) a nossa ignorância é ilimitada. Novamente reaparece a frase do Sócrates: “Só sei que nada sei”. Isso significa que todo conhecimento é provisório e refutável (colocado em questão, podendo ser substituído por outro). Para o Popper, o conhecimento surge da existência de problemas, e o problema é definido como “a descoberta de uma contradição interna entre nosso suposto conhecimento e os supostos fatos”. Por exemplo: a epidemiologia através da história acumulou conhecimentos baseados nos fatos de diversas pandemias, muitas delas ocasionadas por gripes, como o caso da gripe espanhola no início do século XX, e a Influenza no início do século XXI. No entanto, nesta nova pandemia, os estudos indicam que o vírus tem semelhança com anteriores, mas também diferenças, e por essa razão foi chamado de novo Coronavírus. Uma das semelhanças é que ele tem características genéticas que variam, e até o momento foram identificados três tipos de novo Coronavírus de acordo ao seu origem.[6]  características é que tem uma velocidade de contágio e disseminação muito mais rápida do que os anteriores Coronavirus.[7] Também foi observado que se comporta de forma diversa em relação aos diferentes segmentos da população, dependendo da idade e do sexo (segundo dados do relatório chinês). Mas percebemos que há diferenças nos níveis de contágio e disseminação de acordo aos países. Como a disseminação da doença depende do comportamento social, a quantidade de infectados por país dependerão das medidas de intervenção das políticas públicas para regular e controlar esse comportamento social. Assim como também da obediência das populações a essas medidas. Isso sem introduzirmos aqui a diversidade das situações socioeconômicas das pessoas cujos efeitos já começaram a ser calculados para alguns casos. Além disso, podem incidir as condições sociais da humanidade, incluídos os avanços das comunicações e da tecnologia, que provavelmente tem contribuído à disseminação acelerada do vírus em alguns locais mais do que em outros (mapeamento do trânsito aéreo). Esperemos que também a solução para a doença possa ser encontrada mais cedo, antes de que se produza um número muito elevado de mortes. A ciência acumulou conhecimentos sobre pandemias e gripes, no entanto esse conhecimento acumulado, embora sirva de base e seja útil, não é suficiente para que os cientistas possam saber como se comportar frente ao problema. Portanto, é nesse caso que temos um problema nos termos definidos por Karl Popper, já que não podemos agir frente a esse tipo de gripe, como nos comportamos perante as gripes anteriores. Nem os medicamentos, nem as vacinas existentes curam desta nova gripe. No entanto, na ciência, o conhecimento é acumulativo. Isso quer dizer: que perante a nova situação ou o novo problema, podemos tentar usar o conhecimento acumulado em situações semelhantes, e esse conhecimento acumulado nos permitirá verificar o que pode ou não ser aplicado na nova situação. Como os cientistas vão descobrir qual será a melhor solução? Testando. Ou seja, intentando, na experiência dos fatos, aplicar diversas soluções, algumas delas utilizadas em doenças anteriores ou para outras doenças. A maioria delas já testadas anteriormente. Mas se elas não funcionam, tentando novos caminhos sugeridos pela observação sistemática do que acontece no momento. Isso se chama refutabilidade. Frente ao problema, surge a probabilidade de que haja determinada solução, aplica-se na prática, verificam-se os resultados, e se esta não funciona tenta-se outra. Mas e o tempo?!!! Sempre o tempo...

Neste caso o tempo é essencial. Os cientistas que estão monitorando, ou seja, descrevendo através de dados, quais são os resultados das diversas soluções testadas, mostram que o tempo em que se descobrem os primeiros casos, o tempo em que se fazem os testes para saber em que proporção esses casos estão incidindo sobre a população de cada país e a população mundial, os tempos em que os políticos tomam as decisões sobre as medidas preventivas e de contenção da expansão do vírus, todos esses tempos, incidem sobre a velocidade e o número de infectados e sua detecção, como sobre o número de pessoas mortas e a identificação das causais de morte. Frente a situações de tal gravidade, onde a cada segundo há que agir de forma direcionada e rápida, qualquer erro ou atraso na tomada de decisão pode custar vidas humanas, o valor fundamental a ser preservado. Os exemplos neste sentido estão sendo amplamente divulgados: a China agiu relativamente rápido, e ações de controle e isolamento foram estabelecidas de imediato. Embora em metade do mês de dezembro a presença do vírus já tivesse sido anunciada por um médico de Wuhan e por razões políticas não foi ouvido[8]. Em dois meses se conseguiu conter o crescimento e expansão da doença, assim como o número de mortes. Outros países seguiram caminhos semelhantes. O caso de Coreia do Sul, mostrou a importância que tinha sobre a redução das mortes, testar a maior parte da população e proceder ao isolamento. Na Alemanha também se generalizaram bastante os testes, assim como o isolamento dos grupos que apresentavam maior risco de morte, como o dos idosos (pessoas com 60 anos ou mais). Em cada caso, se foi apreendendo algo novo sobre o comportamento da doença. E como levanta o filósofo sul-coreano Byun-Chul Han[9], também as diferenças culturais entre os países asiáticos e os países ocidentais influenciaram a velocidade de tomada de decisões políticas, assim como o tipo de medidas que poderiam ser aplicadas à população, mostrando que medidas de controle mais severas ajudam a conter a expansão da infecção e portanto, da mortalidade. Foi percebido assim, que os fatores culturais e sociais de cada país e das regiões incidiam no tipo de política pública e, também, no comportamento das pessoas e grupos frente a estas medidas, afetando o contágio das pessoas. Sobre essas observações, deverão ser feitas maiores análises que possam algum dia nós aproximar de novas hipóteses.

Voltando ao nosso debate sobre ciência, o que podemos destacar nesse momento em termos de “epistemologia” ou teoria do conhecimento?

1-     Estamos frente a um problema, já que existe contradição entre as soluções anteriormente propostas para fatos similares e os fatos atuais que demandam por novas soluções.

2-     O conhecimento acumulado através da história mostra que a humanidade passou por diversas pandemias, base da qual podemos partir, no entanto, devemos procurar soluções diferentes para um problema novo num novo contexto histórico-social.

3-     A partir da refutabilidade a ciência continua a agir em busca de soluções para problemas, mesmo que sejam transitórias, como neste caso com a pandemia. No entanto, quando o preço do fator tempo sobre esse exercício de hipótese, teste, verificação e refutabilidade, tem como custo perda de vidas humanas, supõe a aplicação de medidas que nos ajudem a ganhar tempo, mantendo as taxas de mortalidade o mais reduzidas possível. Neste caso foi demonstrado que essas medidas são as de quarentena de toda a população, e maior nível de isolamento de pessoas com maior probabilidade de risco de morte: idosos, pessoas com problemas respiratórios, diabéticos, pessoas com imunodeficiência, etc., como definido nos parâmetros da Organização Mundial da Saúde (OMS).

4-     Sempre levar em consideração que os vírus e suas consequências se manifestam nos seres humanos, portanto, como já está sendo visualizado, os valores, as culturas, as crenças, e as decisões políticas incidirão nas consequências que a pandemia causa.

5-     Em relação com o item anterior, talvez estejamos num daqueles momentos em que para além do conceito formalista de ciência aqui aplicado, devamos considerar a emergência de novos paradigmas científicos, porque a realidade está mostrando que a complexidade, abrangência e intensidade dos nossos vínculos sociais nos faz pensar num momento de crise de paradigma (Kuhn, ), onde já não mais podemos conceber a doença no indivíduo, no corpo, sem entender o corpo nos fluxos das relações globais influenciados pela reflexividade e a tecnologia, e inseridas no mundo da natureza.

Então, aquele chazinho de guaco e mel para a gripe, ele é bom, você pode tomar, mas sabendo que a solução para as novas epidemias demandarão no mundo global, tecnológico e altamente reflexivo, entrelaçar esses conhecimentos tradicionais dos nossos ancestrais com os conhecimentos científicos nos moldes existentes, criando um novo paradigma. A atual revolução científica demanda essa conexão e a relação da ciência com a linguagem das nossas avós, e com as diversas linguagens de diferentes culturas.

Saber e poder

Nos finalmente: e o poder, não tem nada a ver com essa história de ciência?

O poder sempre tem a ver. Já colocamos que decisões tomadas para a aplicação das políticas públicas, estarão na interseção de diversos poderes.

O poder político, do Estado como instituição, e dos governantes de turno, tem enorme responsabilidade. E como os dados mostram, as principais variações provêm das diversas políticas públicas que são tomadas. Os debates sobre a incidência das medidas de quarentena sobre a expansão da infecção pelo vírus, sobre a mortalidade e sobre as consequências no sistema econômico, são cruciais.

Por outro lado, o poder da ciência, do conhecimento, daqueles que tomam as decisões médicas e sanitárias, assim como daqueles que monitoram os dados e as informações em geral, são tão importantes quanto o poder político. Também são parte do poder político.

Citando o conceito de biopoder do filósofo Michel Foucault como: “o conjunto dos mecanismos pelos quais aquilo que, na espécie humana, constitui suas características biológicas fundamentais vai poder entrar numa política, numa estratégia política numa estratégia geral de poder.” (Foucault, 2008: 5).

Os mecanismos de poder são intrínsecos a todas as relações, e a análise destas é parte da análise global da sociedade. Nada lhe escapa ao poder, menos ainda a ciência.

Tanto que o saber tem intrinsecamente inseridos os mecanismos de poder, se constrói como saber-poder, já que os efeitos do saber “são produzidos em nossa sociedade pelas lutas, os choques, os combates que nela se desenrolam, e pelas táticas de poder que são os elementos dessa luta”. (Foucault, 2008: 5) Não é em vão que autor chamava a filosofia como a “política da verdade”. O que traz novamente a questão da verdade na ciência, tanto como meta inatingível, quanto como representação das lutas de poder. Ou seja, a verdade da ciência, para o Foucault, está inserida no meio da disputa política.      

Não é por acaso, que o comportamento dos líderes políticos perante a pandemia incide de forma decisória sobre as políticas para combatê-la, afetando as variações de infecção e letalidade. O posicionamento do chefe de estado no Brasil, contrário às recomendações da Organização Mundial da Saúde e da maioria das instituições científicas, está em confronto com a ciência. Muito interessante é notar, que independentemente da medição de custos e ganhos políticos, uma das rupturas mais radicais do atual poder político aconteceu justamente a partir da ciência. Estou me referindo às rupturas políticas produzidas entre o Presidente do Brasil e alguns dos seus aliados mais importantes. Incluímos neste caso governadores e ministros, alinhados politicamente com o Presidente, no entanto, perante os fatos científicos, acabaram posicionando-se contrários ao seu líder. É interessante observar como a ciência produz uma cisma, uma raja entre a ação baseada na fé, na fidelidade incondicional ao líder carismático e na crença, e a ação racional baseada na produção de verdade a partir do fato científico. O campo da ciência acaba tendo a última palavra.

Portanto, a ciência, embora afetada na sua aplicação prática pelas lutas sociais e políticas e as disputas de poder, segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, é um campo que consegue ter relativa autonomia com respeito a esse mundo exterior. Quando houver a ingerência de um poder vindo de outro campo impondo os seus critérios sobre os da ciência, haverá um “ato de tirania”. Bourdieu (2004) explica muito bem como é que o campo da ciência consegue essa relativa autonomia:

“Ao contrário, quanto mais um campo é autônomo e próximo da concorrência perfeita, mais a censura é puramente científica e exclui a intervenção de forças puramente sociais [...] para se fazer valer aí, é preciso fazer valer razões; para aí triunfar, é preciso fazer triunfar argumentos, demonstrações e refutações.” (Bourdieu, 2004: 32)

Isso quer dizer, que para produzir mudanças no campo da ciência, de nada serve fazer objeções desde o campo da política, ou tirar conclusões desde o campo da religião. Quanto mais o campo da ciência for autônomo (e para o autor ele tem autonomia relativa) só é possível estabelecer mudanças a partir das próprias regras e achados científicos.

Por isso, embora desde um ponto de vista diferente, o historiador da ciência Thomas S. Kuhn (1969) vai dizer que momentos de mudança nos paradigmas da ciência, que ele chama de momentos de “revolução científica”, acontecem quando as descobertas dos científicos obrigaram a ciência a “rejeitar a teoria científica anteriormente aceita em favor de uma outra incompatível com aquela” (Kuhn, 2013: 25). Essas inovações vão significar mudança tanto da teoria como dos fatos. Pode acontecer, que num dado momento, quando há “anomalias” que não podem ser explicadas pelo paradigma anterior, apareça um novo paradigma científico. Mas esse evento não só terá a ver com mudanças no mundo social ou exterior à ciência, senão com mudanças que acontecem dentro do campo do conhecimento científico. O fato de que os cientistas não acharam soluções para alguns problemas de forma repetida, pode levar finalmente a descartar o modelo de ciência a partir do qual eram propostas as soluções (Kuhn, 2013).

Cabe lembrar, que a construção de realidade pré-moderna, baseada na crença e na fé, veio a se desmoronar na sociedade moderna. Na modernidade, tudo era fato, a sociedade também, segundo o positivismo do Durkheim (1972), ser humano e natureza seriam governados pela ciência racional.

Ciência e na modernidade reflexiva

Mas será que esse discurso científico da modernidade penetrou na semi-periferia[10] do mundo? Neste caso do Coronavírus no Brasil, pode-se falar de uma ruptura entre o discurso pré-moderno e moderno da ciência, com resultados interessantes. Talvez, a reação frente a pandemia, tenha causado a divisão mais clara entre atitude mística, messiânica, de fé, e, portanto, pré-moderna, e atitude racional, científica, positivista e moderna. Esse embate num mundo atravessado pelo avanço da globalização econômica, da tecnologia e da reflexividade da alta modernidade nos faz pensar em diversas dimensões da verdade e leituras da realidade se entrelaçando.

Apesar da acirrada luta política, o discurso científico está ganhando, ele vence a disputa com aqueles que o querem negar, mas finalmente acabam cedendo a ele. Aparentemente, a maioria dos políticos não quer pagar os custos de altos índices de mortalidade preditos caso não haja política de quarentena e isolamento social. A ciência triunfa na sua versão mais positivista, estabelecendo causalidades, correlações, observando tendências e apontando probabilidades causais para cada uma das medidas de políticas adotadas. Recente pesquisa do Imperial College[11], que mede o impacto das diversas políticas públicas (Intervenções Não Farmacêuticas) em relação à mortalidade e a demanda de cuidados de saúde a causa de infecção de Conornavírus na Grã Bretanha e nos EUA, projetou diferentes cenários. Nestes, um dos resultados contundentes foi que se não se tomassem medidas de contenção, apostando na expansão da doença com a intenção de que se crie imunidade de manada, na Grã Bretanha haveria aproximadamente 510 mil mortes e nos EUA 2,2 milhões de mortes entre os meses de abril e julho. Enquanto que combinar o isolamento domiciliar de casos suspeitos, a quarentena domiciliar dos que vivem no mesmo domicílio dos casos suspeitos e o distanciamento social de idosos e outras pessoas com maior risco de doença grave poderia reduzir o pico da demanda de serviços de saúde em 2/3 e as mortes pela metade. Lembrando que o Primeiro Ministro Britânico, Boris Johnson, tinha apostado na primeira opção, mas acabou se orientando pelos resultados deste estudo, mudando sua estratégia inicial. Gradualmente o Reino Unido foi entrando na quarentena total com isolamento populacional. Um detalhe importante, é que no dia que os resultados do estudo do Imperial College foi publicado, o próprio Primeiro Ministro e o Ministro da Saúde do Reino Unido testaram positivo para a doença, e o número de casos confirmados com a COVID-19 era perto de meio milhão segundo dados do Systems Science and Engineering at Johns Hopkins University. Nessa data os Estados Unidos tinham ultrapassado o número de casos confirmados da China, pouco depois a Itália e a Espanha também ultrapassavam a China, além de que em pouco tempo a Inglaterra teve um crescimento exponencial dos casos de infecção e morte por Coronavirus e atualmente o governo recomenda seguir estritamente as indicações dos cientistas e médicos. Em todos esses casos houve demora em aplicar as medidas de isolamento social e quarentena generalizada. Ainda países que insistiram em atitudes mais flexíveis diante da doença, já tomaram medidas rígidas e restritivas da circulação social e de quarentena: Japão, Holanda, Suécia. Todos esses países viram disparar as curvas de contágio para além do esperado e do suportável pela capacidade hospitalar disponível. Pode-se afirmar que se opor aos estudos científicos formais da ciência positiva até agora produziu resultados catastróficos de contágio e mortalidade.

Um fato que tem chamado a atenção é a sistematização permanente dos dados globais sobre a pandemia realizada pela Universidade Johns Hopkins[12] tendo como base os dados da OMS e dos órgãos de saúde dos países, nos Estados Unidos. No entanto apesar da pesquisa da Universidade John Hopkins gerar as melhores estatísticas em termos comparativos internacionais, com mapas que  georreferenciam a expansão e letalidade do vírus, o governo dos Estados Unidos foi um dos últimos a pôr em prática a política de isolamento, pagando neste momento o preço de ser o país com maior número de infectados e de mortes do mundo. As projeções realizadas pelo infectologista da Casa Branca, Anthony Fauce, indicam que o número de vítimas letais poderia chegar a cifras entre 100.000 e 240.000. Cifras que ultrapassam em três vezes o número de americanos mortos na guerra de Vietnã.[13] Apesar da resistência, até o Presidente Donald Trump acabou se rendendo às evidências científicas. O custo da demora foi letal como mostram os dados das citadas fontes.

Apesar das tentativas, o campo científico parece ter conservado sua ainda relativa autonomia.

No Brasil, além das projeções internacionais baseadas nas fontes anteriormente citadas, temos a análise de dados locais. Pesquisadores de diversas universidades públicas Federais e Estaduais, assim como da principal instituição em pesquisa epidemiológica, a instituição pública federal, Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), vêm mapeando a evolução da pandemia no Brasil e no mundo, em cooperação com o Ministério da Saúde e com grandes centros de produção científica internacionais.[14] Essas instituições estão constantemente desenvolvendo pesquisa para o desenvolvimento de testes, vacinas e possíveis medicamentos, assim como ações do atendimento médico, criando canais de informação accessíveis à sociedade.[15] Apesar do conhecimento científico produzido, o chefe máximo do estado brasileiro insiste na divulgação de notícias falsas e promove medidas opostas às indicadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelos cientistas do mundo todo.  Informação sobre subnotificação de casos infectados e de mortes são recorrentes e confirmadas pelo Ministério da Saúde, atribuída, como em outros países, à escassez de testes e a falta de notificação desde os estados e municípios. No entanto, de acordo às estimativas feitas pela London School of Hygiene and Tropical Medicine, o percentual de casos sintomáticos reportados pelo Brasil é estimado em 7,3%, superior aos 3,8% na França, 5,5% na Itália e 5,4% na Espanha. Mas inferior aos 12% estimados para os Estados Unidos, 29% na Alemanha, 32% na China e 56% na Coréia do Sul.[16] Segundo dados do Ministério da Saúde, o padrão de distribuição das mortes, segue o padrão de outros países: maioria pessoas idosas (77% com mais de 60 anos) e a maioria apresentava pelo menos um fator de risco (74%). Considerando raça/cor, as internações por COVID-19 são de 73,9% brancos e 23,1% pretos e pardos, enquanto as mortes são de 65% brancos e 32,8% pretos e pardos, com 2,8 e 2,5 amarelos respectivamente[17]. A imprensa vem reportando mortes sem diagnóstico e aumento das mortes por problemas respiratórios agudos não diagnosticados desde há um tempo.[18]

Finalmente, apesar dos tempos da ciência, chegamos a um problema ético: há decisões que afetarão o direito à vida de milhares de seres humanos. Mesmo no meio dos embates, o campo científico continua a responder às suas próprias lógicas e distribuição dos capitais de conhecimento. Os agentes da ciência atuam com relativa autonomia, tentando impedir a ingerência do campo da política e da religião no seu trabalho e na orientação das políticas públicas.

Na chamada pós-modernidade, ou melhor, “alta modernidade” na denominação do Anthony Giddens, a ciência, como parte dos “sistemas peritos”, continua a orientar a maior parte do conhecimento. Mas, se levamos em consideração que uma das características da alta modernidade é a expansão da reflexividade para o resto da sociedade, vemos que temos versões leigas tentando competir com os conhecimentos da ciência. Outros campos, como o da política e da religião, tentam ter ingerência, embora a confiança na ciência ainda prevalece. Como sugere este autor, a política emancipatória da modernidade supus a libertação das “amarras da tradição e do costume”. Ainda supunha a redução ou eliminação da exploração, desigualdade ou opressão, sugerindo uma ética da justiça, da igualdade e da participação. A política-vida supõe “emancipação da rigidez da tradição e das condições de dominação hierárquica”, sugerindo a possibilidade de escolha entre diversos estilos de vida (Giddens, 2002). A situação atual nos encontra debatendo-nos ainda para superar os mitos da etapa pré-moderna, e para realizar os desafios emancipatórios da modernidade. Talvez a possibilidade de escolha entre estilos de vida ilimitados, superpõe-se como mais uma tarefa inacabada. Ela estava destinada a orientar as decisões sobre o próprio corpo, sobre a vida do planeta e sobre a própria continuidade da espécie. Em tempos de pandemia, a entrega ao conhecimento da ciência, aparece como um desafio enorme, apesar de ser parte da reafirmação do paradigma da mais clássica modernidade. O “retorno do recalcado”, entendido como aquele conjunto de crenças que foram aplacadas pela racionalidade moderna, reaparece com força nos discursos leigos, messiânicos e mágicos que pretendem conduzir as massas a partir da irracionalidade para um suicídio coletivo. Esse tipo de ação também aparece nas atitudes de líderes de seitas que recorrem à construção de identidades arcaicas, com discursos de salvação (Castells, 1999).

E finalmente, aquele chazinho de guaco e mel, que a minha vovó me indicou para as gripes, será recomendável ainda? Mal não fará, mas em relação ao novo Coronavírus melhor seguir as recomendações da OMS e das instituições científicas.   

Referências bibliográficas

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KUHN, Thomas S. (1969) A Estrutura das Revoluções Científicas. Editora Perspectiva, 12 Edição, São Paulo, 2013.

POPPER, Karl (1902) Lógica das ciências sociais. Editora Tempo Brasileiro. Rio de Janeiro, 2004.

PLATÃO (423 – 347 a. C.). Teeteto ou da Ciência. 2ªed. Lisboa: Inquérito, S/d. (cadernos culturais, 113).

WALLERSTEIN, Immanuel. A reestruturação capitalista e a perspectiva mundial. Em: Perspectivas, pp. 249-267, São Paulo, 1998.

WEBER, Max. Economia e Sociedade. Vol. 1, Cap. 5. Ensaios sobre sociologia da religião. Editora UnB, Brasília, 2004.

WEBER, Max. Ciência e Política. Duas vocações. Editora Cultrix, São Paulo, 1997.

 



[2] Ver em: https://coronavirus.jhu.edu/data/mortality

[3] https://g1.globo.com/politica/noticia/2020/03/26/brasileiro-pula-em-esgoto-e-nao-acontece-nada-diz-bolsonaro-em-alusao-a-infeccao-pelo-coronavirus.ghtml

[4] Estudo da PNAD contínua de 2018 mostra o percentual de domicílios com rede de esgoto (63%), sendo que 37% não tinham esgoto nesse ano. Acesso on-line em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/24532-pnad-continua-abastecimento-de-agua-aumenta-no-centro-oeste-em-2018-mas-se-mantem-abaixo-do-patamar-de-2016

[5] Estudos recente realizados na cidade de Chicago e de Nova York, indica maior incidência da mortalidade entre latinos e negros, adjudicada às condições socioeconômicas dessa população, como a necessidade de continuar trabalhando durante a pandemia, não ter acesso a serviços de saúde e sofrerem de doenças crónicas pré-existentes. e não a questões étnicas. Acesso on-line em: https://nymag.com/intelligencer/article/new-york-coronavirus-cases-updates.html e em  https://oglobo.globo.com/mundo/latinos-sao-as-vitimas-mais-frequentes-do-novo-coronavirus-na-cidade-de-nova-york-1-24361584

[6] No site, imagem dos três tipos identificados por origem geográfica e lugar de expansão. Acesso on-line em: https://nextstrain.org/ncov/global?lang=pt

[7] Sobre características do vírus, ver em Revista Nature Medicine. Acesso on-line: https://www.nature.com/articles/nm1024

Sobre as origens do vírus, ver em Virology Journal. Acesso on-line: https://virologyj.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12985-015-0422-1

[8] Lamentavelmente, esse médico morreu de Coronavírus um mês depois, causando revolta na população. Ver em: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-51411980

[9] Ver artigo em: https://brasil.elpais.com/ideas/2020-03-22/o-coronavirus-de-hoje-e-o-mundo-de-amanha-segundo-o-filosofo-byung-chul-han.html

[10] Usamos esse conceito de “semi-periferia” como definido pela teoria sistema-mundo ao tratar da América Latina (Wallerstein, 1998)

[12] https://coronavirus.jhu.edu/map.html

[13] https://experience.arcgis.com/experience/685d0ace521648f8a5beeeee1b9125cd

[14] Já, desde mediados de março, essas instituições em conjunto com a London  School  of  Hygiene & Tropical  Medicine na  Inglaterra, vêm alertando para a evolução do contágio, destacando que no país só estariam sendo notificados na época, 11%. Problemas de subnotificação, embora comuns em quase todos os países pela escassa disponibilidade dos testes, chamam a atenção de especialistas no caso do Brasil. Ver em: https://ufrj.br/sites/default/files/img-noticia/2020/03/notatecnica25032020.pdf

[15] O site da Universidade Federal do Rio de Janeiro, https://coronavirus.ufrj.br/, e da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), https://bigdata-covid19.icict.fiocruz.br/ e https://portal.fiocruz.br/coronavirus-perguntas-e-respostas.

[17] Aqui nos referimos ao relatório mais recente do Ministério (de 10 de abril de 2020) na data de confecção deste artigo. Accesso on-line: https://www.saude.gov.br/images/pdf/2020/April/10/10.04.2020-COVID.pdf

[18] Como mostrado pela revista Veja que cita matéria do Jornal The Washington Post, acesso on-line: https://veja.abril.com.br/brasil/covas-abertas-em-cemiterio-de-sp-viram-destaque-no-washington-post/ e o Jornal Folha de São Paulo de 10 de abril, acesso on-line: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2020/04/mais-de-mil-pessoas-morreram-pelo-novo-coronavirus-no-brasil.shtml