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Revista METAXY é uma publicação semestral do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas em Direitos Humanos do NEPP-DH/UFRJ.

PRORROGADO OS PRAZOS - CHAMADA ABERTA Revista Metaxy: Corpos e Territórios de Luto e Luta: Memória, Direitos e Vida em Tempos Pandêmicos

 

Segue em curso no Brasil um processo combinado de necropolítica, negacionismo e neoliberalismo que tem um efeito preciso em alguns episódios recentes de forma mais concentrada: a tragédia sanitária em Manaus, o Massacre do Jacarezinho no Rio de Janeiro e o incêndio da Cinemateca em São Paulo. Não há monumentos ou atos estatais de luto coletivo pelas milhares de vidas e histórias perdidas nesse projeto nefasto em curso, mas do descaso e destruição protagonizado pelo governo federal brotaram lutas e manifestações populares que tem derrubado monumentos, renomeado avenidas e resignificado territórios.

Frente a essa disputa sobre o passado, presente e futuro, documentar e valorizar a memória tem se tornado cada vez mais uma estratégia vital de resistência. Partindo da ideia da memória como uma relação, e o passado como algo que tanto pode ser recordado quanto recriado (Gondar 2015), neste número da revista Metaxy assumimos o desafio de publicar artigos, ensaios, entrevistas, resenhas e trabalhos iconográficos sobre as marcas corporais e territoriais de luto e de luta travadas nos anos 2020 e 2021, também buscando contribuições sobre outras épocas históricas de crises e catástrofes.

Para maiores informações e lista de temas específicos de nosso interesse, clique em "Mais...".

Confira os novos prazos abaixo:
- Envio de resumos de 250 palavras: 19 de novembro 2021.
- Convites para envios de trabalhos completos (por e-mail): 17 de dezembro 2021.
Prazo para envio de trabalhos completos: 31 março 2022.
- Previsão de publicação: outubro 2022.

* Resumos devem ser enviados para o e-mail: revista.metaxy@nepp-dh.ufrj.br com “Submissão Chamada Aberta” no título.

 
Publicado: 2021-08-10 Mais...
 

NOTA PÚBLICA DE DISCENTES DO PPDH/NEPP-UFRJ E DEMAIS SIGNATÁRIOS EM RESPOSTA À CHACINA DO JACAREZINHO

 

Nós, discentes do Núcleo de Políticas Públicas e Direitos Humanos da Universidade Federal do Rio de Janeiro, junto aos demais signatários (entre servidores, professores, técnicos, colaboradores e estudantes de demais cursos da UFRJ), que subscrevem a esta nota, repudiamos veementemente a violência letal perpetrada em territórios de favelas e periferias e cobramos a apuração célere, meticulosa e independente de todas as 25 mortes e demais violações ocorridas no contexto da operação conduzida pela polícia civil, no dia 6 de maio de 2021, na favela do Jacarezinho, Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro

 
Publicado: 2021-05-07 Mais...
 

Revista METAXY faz chamada para ensaios sobre o tema “Barbárie e genocídio social em tempos de pandemia”

 

Com o objetivo de promover reflexões sobre os direitos humanos diante do quadro de colapso social em meio a pandemia e os desafios contemporâneos, que afetam a humanidade, a Revista METAXY convida todos e todas para participarem nos enviando ensaios livres sobre o tema “Barbárie e genocídio social em tempos de pandemia”.

Os Editores de METAXY assumem o desafio de convocar a comunidade acadêmica, lideranças dos movimentos sociais e profissionais para mais este exercício de reflexão. Trata-se de afirmar, neste canal público de debate, a denúncia da figura jurídica extrema dos crimes contra humanidade, que coloque em pauta as questões inquietantes da banalização da crueldade, da cultura do medo e das análises que levam em conta a explicitação do alcance da violência extrema presentes em noções como barbárie, genocídio e necropolítica.

No contexto da pandemia e diante do quadro das ações violentas em curso com as ameaças e violações crescentes contra as populações, com as marcas históricas de seus efeitos desigualmente distribuídos, os autores e autoras deverão discorrer livremente sobre o tema “Barbárie e genocídio social em tempos de pandemia” seguindo as diretrizes e especificações abaixo:

Normas para esta submissão: a Revista somente publicará ensaios inéditos sobre o tema em questão; não serão aceitos anexos e glossários, gráficos ou imagens; título em português, fonte Times New Roman, corpo 12, espaço 1,5 entre as linhas; com mínimo 10 e no máximo 15 páginas; nome do autor(a) com identificação de filiação institucional, titulação (máximo de três linhas) e e-mail, alinhado à direita e abaixo do título. Notas de rodapé, apenas as indispensáveis, observando a extensão máxima de três linhas. Referências bibliográficas devem seguir as normas da ABNT. A revisão gramatical é de responsabilidade do autor(a). Todos os ensaios passarão pelo crivo de avaliação dos Editores, que se reservam o direito de não publicar caso julguem fugir da linha editorial correspondente a esta chama pública. Todos os ensiaos enviados para esta chamada pública serão publicados na seção NOTÍCIAS de METAXY.

Os ensaios deverão ser enviados entre 15/03/21 a 30/04/21, para o email: revista.metaxy@nepp-dh.ufrj.br

Atenciosamente,

Os Editores.

 
Publicado: 2021-03-09
 

TEORIA DA SOLIDARIEDADE E POLÍTICA INTERNACIONAL

 

Por Marcelo Coutinho, Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Em artigo anterior, “Distanciamento social e solidariedade provisória” (2020), procurei examinar os movimentos de fúria pós-pandemia e a queda da empatia no mundo, em particular no Brasil, como um processo estrutural já em andamento, pelos menos há duas décadas de uma maneira mais acelerada, e cujas transformações nas sociedades contemporâneas se fazem sentir de forma crescente na democracia e nos direitos humanos. Agora, seguindo a sugestão de colegas[1], tentarei fazer uma aplicação do conceito de solidariedade provisória também para a política internacional. Considero que um novo olhar teórico sobre as relações entres os países, suas organizações e indivíduos, tendo a solidariedade como elemento principal, torna-se quase uma exigência em função da dificuldade de antigas correntes de análise em compreender os eventos de desglobalização numa era pós-moderna. Poderemos perceber, assim, o papel que a dimensão solidária desempenha nas relações internacionais, como ela está presente em algumas teorias já existentes, mesmo que de uma maneira não explícita, e que seu desenvolvimento pode servir para compreender melhor o mundo moderno e contemporâneo.



[1] Em especial, os meus agradecimentos pelo incentivo do colega professor Alexander Zhebit do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas em Direitos Humanos (NEPP-DH) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

 

 
Publicado: 2020-07-17 Mais...
 

DISTANCIAMENTO SOCIAL E SOLIDARIEDADE PROVISÓRIA

 

Por Marcelo Coutinho - Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

 No artigo “Pandemia e Desglobalização” (2020), menciono logo no final o surgimento bastante provável de movimentos de fúria e toques de recolher paralelo à crise sanitária e econômica que assolou o planeta. O texto foi escrito um mês antes das revoltas nos Estados Unidos começarem, decorrentes da morte asfixiante de George Floyd por um policial de Minneapolis, a maior cidade do estado americano de Minnesota. Em função do que aconteceu - boa parte das cidades americanas tiveram toques de recolher -, agora tenho a oportunidade de aprofundar o entendimento das relações existentes entre o isolamento social e os movimentos de fúria, ou de amor, se preferirem, tendo em vista, que a “primavera americana”, iniciada politicamente no dia 30 de maio, é estimulada por sentimentos de indignação e raiva, baseadas numa forte identificação sócio-afetiva da população com a vítima que simboliza inúmeros outros casos semelhantes dentro e fora dos EUA, a começar pelo Brasil. Este foi um assassinato que comoveu o mundo e precipitou uma onda de protestos de rua, em sua grande maioria pacífica.

 
Publicado: 2020-06-17 Mais...
 

A MÁSCARA E O CORPO NEGRO: PISTAS PARA PROTEÇÃO DO CONTÁGIO EM UM REGIME NECROPOLÍTICO?

 

Por Me. Lucas Gabriel de Matos Santos - Doutorando em Psicologia pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPGP-UFRJ); Drª.Rosa Maria Leite Ribeiro Pedro - Professora Titular do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IP-PPGP).

 09 de abril de 2020. Eu e Juliana nos dirigimos a um bairro a um pouco mais de 30 km de onde moramos para comprar cestas básicas e trazer para a comunidade religiosa que fazemos parte. A comunidade distribui cestas básicas para famílias que empobrecerão diante da crise econômica o qual fomos dragados, consequência da pandemia de Covid-19 e de outras desigualdades acumuladas a séculos. Naquela manhã, Juliana me buscou em casa com sua  Ford Ranger XL - um carro com porte de caminhonete. Grande, que chama a atenção - me levou até o centro da cidade onde eu ia pegar as máscaras de pano que tinha encomendado com uma costureira, mãe de uma amiga minha. As máscaras servem como bloqueio físico para proliferação e contágio do vírus. Tais máscaras eram personalizadas com tecidos inspirados com símbolos e cores de tradição de países africanos. Seguimos viagem pela Avenida Brasil - via expressa que liga o centro da cidade do Rio de Janeiro com as regiões norte, oeste e com outros municípios da baixada fluminense.

 
Publicado: 2020-05-21 Mais...
 

POLÍTICAS, POLÍCIAS E MEDIDAS DE SAÚDE PÚBLICA DE ENFRENTAMENTO AO COVID-19 EM CONTEXTOS DE PROSTITUIÇÃO HIPERPRECARIZADA

 

Por Céu Silva Cavalcanti - Psicóloga, mestra em psicologia e discente do curso de doutorado em psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (bolsista CAPES).

Pandemia, palavra nova que rapidamente foi assimilada em nossos vocabulários cotidianos. Junto a ela, um conjunto de rearranjos nas cenas e nas políticas nos pegou de surpresa e, ainda tentando entender os limites do risco, fomos inventando respostas quase intuitivas a uma ameaça nova para toda uma geração. Franco Bifo Berardi (2020) produz um diário em crônica sobre os dias de quarentena e aponta que nos últimos trinta anos é a primeira vez que as populações são convocadas a parar. Ao mesmo tempo em que começam a emergir dia a dia inevitáveis análises de conjuntura, as diferentes perspectivas apontam para os diferentes lugares sociais para os quais se olha bem como para as diferentes marcações de linhas de força que atravessam cada análise. Nesse complexo jogo discursivo, velhas antagonias como otimismos ou pessimismos parecem dar lugar a uma perspectiva caleidoscópica da realidade imediata, capturada em sua multiplicidade.

 
Publicado: 2020-05-21 Mais...
 

A PANDEMIA E OS DILEMAS DE SEGURANÇA

 

Por Luma Mariath - graduanda em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

 

            A atual conjuntura continua a provocar reflexões a respeito de mudanças no cenário pós pandemia. Em meio às inseguranças econômicas e sociais, a certeza que temos é a de que o mundo não será o mesmo, assim como as políticas de securitização. O momento traz à luz dificuldades encontradas pelos Estados em combater ameaças a níveis nacional e internacional, além de promover uma forma diferente de pensar a interseção entre saúde e segurança.

 
Publicado: 2020-05-21 Mais...
 

OCUPA TIJUCA: O NASCIMENTO DE UM MOVIMENTO SOCIAL

 

Por Diego Medeiros - professor formado em História (UNIRIO) e Mestre em Políticas Públicas e Formação Humana (PPFH-UERJ).; Luciana Tosta - professora, Licenciada e Mestre em Artes Cênicas (UNIRIO) e Doutoranda em Educação (UFRJ); Monica Bahia Schlee - arquiteta, paisagista e urbanista (UFF), Mestre em Estruturas Ambientais Urbanas (USP), Mestre em Arquitetura da Paisagem (PSU/USA) e Doutora em Arquitetura (UFRJ).       

“Sonho de uma humanidade que torne o mundo humano, sonho que o próprio mundo sufoca com obstinação na humanidade”.

Theodor Adorno

“Esse é um pensar que percebe a realidade como processo, que a capta em constante devenir e não como algo estático. Não se dicotomiza a si mesmo na ação. ‘Banha-se’ permanentemente de temporalidade cujos riscos não teme”. Paulo Freire

Este artigo tem como objetivo apresentar um panorama das ações do movimento social Ocupa Tijuca com foco em uma de suas ações, em andamento, que consiste na mobilização e no desenvolvimento de instrumentos de conscientização e engajamento social frente à crise sanitária decorrente da pandemia COVID-19. Esta ação engloba a arrecadação e distribuição de cestas básicas, material de limpeza e, sobretudo, a organização, a comunicação e a informação da população de quatro favelas na Tijuca, sobre os cuidados e as medidas necessários para enfrentar a pandemia causada pelo coronavírus.
 
Publicado: 2020-05-21 Mais...
 

COVID-19 E A INCONSTITUCIONALIDADE DAS PRISÕES BRASILEIRAS

 

Por Karolina Yanina S. de Carvalho - Graduando do Curso de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), assistente de pesquisa (CNPQ) e integrante do Grupo de Pesquisa Sociedade e Conhecimento (GPSOC), NEPP-DH.

 I-A crise e o desgoverno

 Há anos, especialistas em saúde escrevem livros e artigos alertando a possibilidade de uma crise global envolvendo um novo vírus. No começo deste ano, relatórios de inteligência informaram governos sobre o  risco de uma pandemia internacional envolvendo o novo coronavírus, SARS-CoV-2.  Nos Estados Unidos, o Conselho de Segurança Nacional recebeu em 3 de janeiro documentos sobre a disseminação do COVID-19 no país. A despeito das orientações para isolamento social e lockdown em algumas cidades, Donald Trump priorizou as relações com o Irã, dada a repercussão do assassinato do General Qassem Suleimani, os acordos com a China e o processo de impeachment no Senado.

 
Publicado: 2020-05-21 Mais...
 

SE O SUS ESTÁ MAL, QUEM ESTÁ BEM?

 

Por Matheus Oliveira de Paula - Estudante de Graduação de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e estagiário no Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE);  Cinthia de Mello Vitório - Assistente Social do Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE), Mestre em Serviço Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Especialista em avaliação em saúde pela Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP).

Para delimitar algumas reflexões sobre o contexto atual da pandemia do coronavírus, vale-se de resgatar um pouco da história da construção e desconstrução do sistema de saúde brasileiro, tecendo uma pergunta “Se o SUS está mal, quem está bem?”.

 
Publicado: 2020-05-21 Mais...
 

PRODUÇÕES EM TEMPO DE ISOLAMENTO: UMA EXPERIÊNCIA DA EXTENSÃO DURANTE A QUARENTENA

 

Por Rejane Maria de Almeida Amorim - Coordenadora de Integração Acadêmica de Graduação – CFCH/UFRJ; Professora da Faculdade de Educação – Departamento de Didática - UFRJ

 

O tempo do confinamento é atravessado pelo antes e pelo depois, é um momento que  fica entre ambos e, na maior parte das vezes, é um tempo estendido que demora a passar.   Como elemento constitutivo da experiência humana, como algo que nos passa, que nos acontece,  que nos toca (LAROSSA, 2002, p.21), é vivido das mais singulares formas.

 
Publicado: 2020-05-20 Mais...
 

A “NORMALIDADE” DA COVID-19 E A VIDA COTIDIANA

 

Por Valéria Cristina Gomes de Castro - Tecnologista em Saúde Pública (FIOCRUZ); Mestre em Saúde Pública ENSP-FIOCRUZ; Doutoranda em Serviço Social pela UFRJ.

 “O planeta rodará sobre seu eixo
Em busca do mesmo sol que perdemos
Abraçando suas mesmas faces ardentes
Festejando a volta da claridade”

(Iasi, 2017, p. 25)

Este artigo busca trazer algumas considerações sobre a pandemia da COVID-19 provocada pela disseminação do novo coronavírus e a situação em relação à vida cotidiana das famílias diante desse grave problema sanitário. A nova realidade social imposta pelo surgimento da doença viral tem provocado grande surpresa e apreensão diante dos acontecimentos e mudado a vida de todos tornando impossível ignorá-la, a mídia invade nossos sentidos com informações a todo instante que nos dão a dimensão da magnitude do problema e do que ainda pode estar por vir.  Inicialmente se esperançava a possibilidade de que estivesse havendo um exagero por parte da imprensa ou manipulação de alguns setores políticos no país, no entanto, o avanço da doença em outros países (como a Itália e posteriormente os EUA) reafirmou a gravidade da situação, inédita para todas as gerações ainda vivas no país, apesar dos mais velhos ainda guardarem as histórias contadas por seus avós quanto a outras epidemias no Brasil, principalmente da gripe espanhola no início do século XX.

 
Publicado: 2020-05-20 Mais...
 

EDUCAÇÃO EM TEMPOS DE COVID-19/CORONAVIRUS: REFLEXÕES A PARTIR DA PESQUISA SOBRE O USO DA TECNOLOGIA NOS SISTEMAS PÚBLICOS BRASILEIROS

 

Por Camila Iwasaki, Clara Azevedo, Erica Peçanha e Erick Roza [1]

As recomendações e medidas necessárias de isolamento social, tomadas para tentar frear o espalhamento do Covid-19/Coronavirus, e a consequente suspensão das aulas em quase todo território nacional, lançaram holofotes sobre desafios que ainda persistem no cenário educacional brasileiro. Diante da ausência de orientações e parâmetros mais claros por parte do Ministério da Educação, cada rede de ensino municipal ou estadual[2] vem buscando se articular (em tempo recorde) para manter a relação com os estudantes e fomentar algum tipo de apoio para eles durante esse período.



[1]Texto finalizado em 22 de abril de 2020.

Camila Iwasaki é sócia-diretora da Tomara! Educação e Cultura, cientista social pela USP, mestre em Gestão e Avaliação da Educação Pública pela UFJF e especialista em Gestão de Projetos em Organizações do 3o Setor pela PUC/SP. Clara Azevedo é sócia-diretora da Tomara! Educação e Cultura, é mestre em Antropologia Social pela USP e cientista social pela mesma universidade. Erica Peçanha é doutora em Antropologia Social com pós-doutorado em Educação pela USP, além de pesquisadora do nPeriferias – Grupo de Pesquisa das Periferias (IEA-USP). Erick Rosa é doutor em Comunicação Social pela USP e possui graduação em Comunicação Social e em Ciências Sociais pela mesma universidade. Este texto é inspirado no relatório da Pesquisa sobre o uso da tecnologia nos sistemas públicos de ensino, realizada em parceria com a Imaginable Futures, o BID - Banco Interamericano de Desenvolvimento e a Fundação Lemann, que contou com a participação dos seguintes pesquisadores: Júlia Serra Y. Picchioni, Ana Luiza Mendes Borges, Felipe Paludetti, Fernando Cespedes, Gláucia Silva Bierwagen, Isadora Silva de Araújo, Larissa Jordão Pino, Maíra Vale, Marina Defalque e Paulo Neves.

[2]Para saber sobre algumas medidas tomadas em âmbito estadual e federal, vale conhecer o levantamento disponível no portal Educação e Coronavírus, coordenado pela pesquisadora Carolina Campos e que conta com apoio do Instituto Unibanco, disponível em: http://educacaoecoronavirus.com.br/consulte-o-levantamento/

 
Publicado: 2020-05-20 Mais...
 

COVID-19 EM FAVELAS CARIOCAS: NO LIMIAR ENTRE OS DIREITOS HUMANOS E AS DESIGUALDADES SOCIAIS

 

Por Luana Almeida de Carvalho Fernandes[1]; Caíque Azael Ferreira da Silva[2]; Cristiane Dameda[3]; Pedro Paulo Gastalho de Bicalho[4]

Escrevemos esse manuscrito dois meses após a confirmação da transmissão comunitária no Rio de Janeiro e da primeira morte em decorrência da pandemia do coronavírus. São sessenta dias de orientações de quarentena e isolamento social e estamos próximos do início das medidas de fechamento completo (também conhecidas como lockdown, ou "tranca-rua") na maioria das cidades da Região Metropolitana. Para nós, brasileiras e brasileiros, tudo começa no final de janeiro de 2020: recorrentemente chegam notícias sobre o surto da doença causada pelo novo coronavírus, a Covid-19, que constituiu uma Emergência de Saúde em nível internacional pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e, assim, é afirmada como pandemia. A OMS sugeriu que o mundo deveria parar e se isolar para lentificar o processo de contaminação e não sobrecarregar os sistemas de saúde. Entretanto, diante de sistemas de saúde já sobrecarregados e sucateados, o que fazer? Nos últimos anos, desde a aprovação da Emenda Constitucional 95, que congela os investimentos em áreas sociais como a saúde, sofremos com a intensificação do sucateamento dos sistemas de saúde, fechamento de leitos e hospitais em todo o país. Para muitos, o colapso social já começava analisando essa questão. Mas, é importante ir além: diante da realidade continental e desigual do Brasil, na qual muitos trabalham informalmente para garantir diariamente o que comer, como adotar tais medidas de restrição, principalmente diante de um governo negligente? Como afirma a psicóloga boliviana María Galindo (2020): na América Latina o coronavírus escancara a ordem colonial do mundo. "Aqui a sentença de morte estava escrita antes da covid chegar em avião de turismo" (p. 124). Não atingimos o pico da pandemia por aqui, embora há quem diga por aí que o pior já passou para as classes alta e média[5]. Talvez, numa análise mais profunda, possamos descobrir que, no Brasil, a pandemia nunca foi sobre os mais ricos. Na verdade, ela não é sobre os mais pobres também, mas evidencia os requintes de crueldade que a nossa forma de reprodução social da vida imprime na sociedade. Neste sentido, o presente ensaio visa problematizar a relação entre direitos humanos e desigualdades sociais nas favelas cariocas, a partir dos cenários que emergem com a pandemia do novo coronavírus.



[1] Psicóloga, especialista em Responsabilidade Social e Gestão de Projetos Sociais, mestra em Políticas Públicas em Direitos Humanos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. E-mail: luanaacfernandes@gmail.com

[2] Bacharel em Psicologia e discente do curso de Mestrado em Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Bolsista CAPES). Pesquisador no Dicionário de Favelas Marielle Franco (Fiocruz). E-mail: caiqueazael12@gmail.com

[3] Psicóloga, especialista em Proteção de Direitos e Trabalho em Rede, mestra em Políticas Sociais e Dinâmicas Regionais e discente do curso de Doutorado em Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Bolsista CNPq). E-mail: crisdameda@gmail.com.

[4] Psicólogo, especialista em Psicologia Jurídica, mestre e doutor em Psicologia. Professor Associado do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, vinculado ao Programa de Pós-graduação em Psicologia e ao Programa de Pós-graduação em Políticas Públicas em Direitos Humanos. Bolsista de produtividade em pesquisa (CNPq). E-mail: ppbicalho@ufrj.br

 
Publicado: 2020-05-20 Mais...
 

COVID-19: A FALÉSIA É ALI

 

Por Vantuil Pereira - Doutor em História Social/UFF. Professor Associado do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas em Direitos Humanos (NEPP-DH/UFRJ). Docente do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas em Direitos Humanos (PPDH).

Homenageio os artistas Aldir Blanc, Ciro Pessoa, Manu Dibango, Ellis Marsalis Jr., Wallace Roney, Bucky Pizzarelli, John Prine, Lee Konitz  A arte abre caminho para pensarmos o novo, para pensarmos a livre expressão no seu sentido mais sublime. A arte liberta.

Em dezembro de 2019 cientistas chineses da região de Wuhan davam notícias da existência de um novo vírus que vinha acometendo seus moradores. Embora o caso fosse inicialmente reprimido pelas autoridades daquele país, rapidamente a epidemia se espalhou, contaminando mais de 80 mil pessoas em apenas noventa dias na China transformando-se, meses depois, em uma pandemia que, até meados do mês de maio de 2020, quando escrevemos o presente texto, a infestação já atingiu quatro milhões e setecentas mil pessoas no mundo em mais de 150 países[1], causando quase 310 mil mortes.



[1] Relatório OMS Coronavirus disease (COVID-19). Disponível em https://www.who.int/docs/default-source/coronaviruse/situation-reports/20200519-covid-19-sitrep-120.pdf?sfvrsn=515cabfb_2. Acesso em 19/05/2020.

 
Publicado: 2020-05-20 Mais...
 

AS MULHERES A FRENTE E AO CENTRO DA PANDEMIA DO NOVO CORONAVÍRUS

 

Por Janaína Dutra Silvestre Mendes - Doutora em Radioproteção e Dosimetria (IRD-CNEN), Física Médica da seção de Medicina Nuclear do Instituto Nacional de Câncer (INCA-MS)

 

A pandemia da COVID-19 está afetando todas as categorias da nossa sociedade: homens e mulheres, pobres e ricos. Mas, certamente, as mais afetadas pelas suas consequências (sejam econômicas, sanitárias ou sociais) têm um endereço, classe, gênero e cor bem determinados. São as mulheres, especialmente as negras, pobres e periféricas.

 
Publicado: 2020-05-20 Mais...
 

RELATOS DE EXPERIÊNCIA EM TORNO DA PARÁBOLA DO PORCO-ESPINHO

 

Por: Elisabete Nascimento, Taís dos Santos Abel, Chris Jones, Cíntia Acosta Kütter, Nathália Rangel, Nathália Guedes, Lisiane Niedsberg, Fernanda Oliveira, Maria Teresa Salgado Guimarães da Silva

(Produção coletiva dos integrantes do grupo de pesquisa Escritas do corpo feminino, da Fac. de Letras da UFRJ)

 

Assim como em certos dias a descida é feita na dor, também pode ser feita na alegria[1]

 

A parábola do porco-espinho é uma metáfora usada pelo filósofo Arthur Schopenhauer para se referir às dificuldades de convívio entre os seres humanos. Os porcos-espinho buscavam se proteger do inverno rigoroso, no calor da companhia de outros. Mas, com a proximidade dos corpos, os espinhos causavam-lhes feridas. Diante da dor, eles se afastavam. Com o aumento do frio, os animais voltavam a se juntar e, novamente, os espinhos os machucavam. Isolados, o frio os ameaçava de extinção. Juntos, os espinhos os feriam. Qual a distância de convívio para que a proximidade entre os humanos, comparados a porcos-espinho, não nos incomode, e o afastamento não nos fira com a solidão? Como o único animal que tem consciência de si, de seus dilemas, animal tão frágil, errático, gregário e inteligente conseguirá enfrentar a parábola do porco-espinho?



[1] Camus, Albert. O mito de Sísifo, Rio de Janeiro: Edições Bestbolso, p. 123.




[1] Camus, Albert. O mito de Sísifo, Rio de Janeiro: Edições Bestbolso, p. 123.

 
Publicado: 2020-05-15 Mais...
 

PANDEMIA E DESGLOBALIZAÇÃO

 

Por Marcelo Coutinho - Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

 A pandemia da Sars-Cov-2 destruiu a economia mundial como nenhuma outra depressão no passado foi capaz de fazer. Dessa vez, não foi uma crise financeira ou uma grande guerra que produziu uma queda vertiginosa do PIB em todos os continentes. Foi um vírus. E o tombo provocado pelo colapso sanitário de 2020 equivale aos choques de 1929 e 2008 somados. É como se um pedaço do meteoro tivesse atingido o planeta em cheio, não em um tipo de apocalipse exatamente, mas em profundas transformações, que não extinguem a humanidade, e sim, um estilo de vida global que vinha crescendo e se consolidando há décadas. Neste artigo, busco analisar as mudanças na sociedade global já possíveis de serem vistas. Argumento que o novo coronavírus não só trará o advento final da China hegemônica ao lado dos EUA, como afirmei em artigo anterior (Coutinho, 2020), como também representa o eclipse da própria globalização como nos acostumamos a vê-la. Procurarei mostrar como essas duas coisas se relacionam, além de discutir que tipo de modernidade emergirá nas sociedades contemporâneas a partir de agora. Já posso adiantar que a cena que vislumbro está bem distante da visão romanceada de que teremos uma sociedade mais humana e solidária.

 
Publicado: 2020-05-12 Mais...
 

OS IMPACTOS DA COVID-19 PARA INTEGRAÇÃO EUROPEIA

 

Por André de Oliveira Sena Melo - Mestrando em Políticas Públicas em Direitos Humanos – PPDH/UFRJ, bacharel em Defesa e Gestão Estratégica Internacional – IRID/UFRJ e pesquisador no Diretório de Pesquisa Desigualdade, interseccionalidade e Política Pública.

Segundo Garcia (2013), a União Europeia (UE), em matéria de integração regional, pode ser considerada um modelo. Com efeito, foi o primeiro grupo a concretizar todas as etapas da integração econômica e da integração política (criação do Parlamento e Comissão europeia, de políticas de segurança comum e de livre circulação de pessoas e sistema integrado de educação superior). Todavia, fatores que vem ocorrendo hodiernamente ameaçam a União. Controvérsias com a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), o Brexit, a crise de legitimidade, recessão financeira, os ataques terroristas, a questão da migração e agora a pandemia da COVID-19; são todos exemplos da enorme quantidade dos desafios da UE hoje.

 
Publicado: 2020-05-12 Mais...
 

A PANDEMIA DA COVID 19 E A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – BRASIL

 

Por Rosimar Souza dos Santos Borges - Assistente Social do CRM-SSA/NEPP-DH/UFRJ; doutoranda em Serviço Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro; Barbara Zilli Haanwinckel - Assistente social do CRM-SSA/NEPP-DH/UFRJ; doutora em Serviço Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro; Marisa Chaves de Souza – Assistente social, Coordenadora do CRM-SSA/NEPP-DH/UFRJ; mestre em Serviço Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Adriana Santos Silva – Assistente Social do CRM-SSA/NEPP-DH/UFRJ; mestre em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) / Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz; Adriana dos Santos Neves – Assistente Social do CRM-SSA/NEPP-DH/UFRJ; mestre em Serviço Social pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro; Adma Andrade Viegas – Técnica em Assuntos Educacionais do CRM-SSA/NEPP-DH/UFRJ; mestre em Letras pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

 

Em março de 2020 a Organização Mundial de Saúde (OMS) classificou como pandemia o novo coronavírus (COVID-19), uma doença respiratória aguda causada pelo coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2. Essa definição refere-se ao entendimento de que há um surto global de uma doença que, no caso da COVID-19, foi causado por não haver imunidade preexistente (BRASIL, 2020). A partir desse momento, a COVID-19 passou a ser entendida como uma emergência de Saúde Pública de dimensão internacional.

 
Publicado: 2020-05-04 Mais...
 

CORONAVÍRUS E RACISMO NO BRASIL: NOTAS DE UMA OBSERVAÇÃO EM TEMPOS DE PANDEMIA

 

Por Aline da Cunha Valentim Francisco - Graduada em Serviço Social (ESS/UFRJ) e Mestranda em Políticas Públicas em Direitos Humanos (NEPP-DH/UFRJ).

“Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro
Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro
Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro
Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro
Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro
Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro”

Emicida, música “Amarelo”

O coronavírus (COVID-19) tornou-se um assunto global nos últimos meses. Um vírus que já deixava a sociedade chinesa em estado de alerta e tensão, alcançou outros países do mundo, gerando o mesmo resultado de medos e incertezas. No Brasil, a realidade não é diferente e o que antes parecia distante e nada grave hoje é parte da vivência de todas e todos nós brasileiras/os.


 
Publicado: 2020-04-25 Mais...
 

ALERTA GERAL!

 

Por Vik Birkbeck – antropóloga pela Universidade de Edinburgh, documentarista, curadora e programadora de cinema.

O termo corona vírus é vago porque refere a uma família de viroses parecidos que inclui o SARS-COV. O nome certo do novo vírus seria o SARS-COV2 que provoca uma doença chamado de COVID19. Como o vírus anterior, a origem desse vírus parece ser dum animal, provavelmente um morcego. Uma virologista chinesa Shi Zhengli, conhecida como a Mulher dos Morcegos, vem pesquisando as conexões com os morcegos há muitos anos. O vírus vive tranquilamente com o animal, sem causar maiores danos, só vindo parar no ser humano em consequência do efeito catastrófico que a industrialização está tendo na natureza, reduzindo ou até destruindo totalmente o habitat das outras criaturas. Frente a isso vale parar para pensar no significado de queimar as florestas amazônicas, subsaarianas etc. derreter as geleiras da Antártida, desviar rios criando imensas barragens como Belo Monte e cavar buracos aleatoriamente para extrair minérios, em Minas Gerais por exemplo, sem falar da imensa poluição gerada por todas essas atividades. É possível que as vidas salvas na China devido à queda na poluição durante a quarentena ultrapassam as mortes por COVID19. Pesquisas de virologistas e epidemiologistas descobriram que a emergência de patógenos novos tende a acontecer nos lugares onde uma população densa vem modificando o paisagem — construindo estradas e minas, derrubando florestas e intensificando a agricultura. Com a população humana cada vez maior, invadindo os territórios dos animais silvestres, mudanças nunca antes vistos do uso do solo, animais domésticos sendo transportados por longas distâncias e criadas em condições de superlotação e sofrimento enquanto os seus produtos atravessam o mundo, e com o aumento vertiginoso das viagens domésticos e internacionais dos seres humanos, a previsão de novas pandemias é uma certeza.

 
Publicado: 2020-04-21 Mais...
 

PANDEMIA: “A HISTÓRIA SE REPETE COMO COMO TRAGÉDIA OU COMO FARSA”

 
Por Marialva Barbosa– professora titular da Escola de Comunicação da UFRJ e pesquisadora do CNPq.

A célebre frase de Karl Marx, na abertura de O 18 de Brumário de Luís Bonaparte (1852),  ainda que se refira a outros contextos e à conjuntura política da França do século XIX, serve como epígrafe do texto que ora apresento e que trás algumas reflexões, a partir da história, sobre o terrível momento em que estamos mergulhados.

 
Publicado: 2020-04-21 Mais...
 

HUMANIDADE À PROVA: REFLEXÕES DE UM BRASILEIRO EM MADRI SOBRE CORONAVÍRUS, ISOLAMENTO SOCIAL E NECROPOLÍTICA

 
Por Conrado Dess– diretor teatral, dramaturgo e mestrando do Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas da Universidade de São Paulo

 Cheguei em Madrid no dia 3 de março de 2020. Naquele momento, a Espanha tinha cento e cinquenta casos confirmados de infectados pelo novo coronavírus e nenhuma morte registrada. Cheguei em um dia frio e ensolarado, ainda um pouco de ressaca do carnaval de São Paulo. Na minha bagagem, além das roupas trazidas para uma temporada de seis meses, havia um pacote de máscaras cirúrgicas e três embalagens de álcool gel adquiridas depois de uma pequena peregrinação pelas farmácias da capital paulista, onde os itens já se encontravam em falta. No Brasil, eram dois os casos confirmados naquela data.

 
Publicado: 2020-04-20 Mais...
 

COVID-19: UMA PERSPECTIVA DO OLHAR DO FEMININO

 

Por Profª Dra. Luciana de Almeida Campos, Professora do curso de Licenciatura em Pedagogia ISERJ/FAETEC. Pós Doutoranda em Ciências Sociais, Doutora em Serviço Social, Psicopedagoga, Neuropsicóloga, Psicóloga, Pedagoga. Email: luciana.campos360@gmail.com

e Profª Dra. Lucy de Almeida Oliveira, Professora do curso de Licenciatura em Pedagogia ISERJ/FAETEC. Doutora em Psicologia Social, Especialista em Inclusão,Psicopedagoga,  Pedagoga. Email: lucyalmeida2004@yahoo.com.br

  A chegada do Coronavírus nos lembra que a incerteza permanece um elemento inexpugnável da condição humana. Todo o seguro social em que você pode se inscrever nunca poderá garantir que você não ficará doente ou será feliz em sua casa.   (Edgar Morin)

 Os pintores renascentistas pediam que seus modelos posassem para que pudessem ser retratados por seus pincéis. A ausência de muitos movimentos, facilitava a tarefa do artista. As autoras deste artigo, se propõem a uma façanha: pintar um quadro com pessoas em movimento, ou melhor: iniciar reflexões sobre uma crise mundial que está em eclosão e na qual ambas estão envolvidas, como cidadãs e mulheres.

 
Publicado: 2020-04-20 Mais...
 

O NOVO CORONA VÍRUS E A REFLEXÃO NECESSÁRIA

 

Há alguns anos, a questão do aquecimento global foi levantada como uma preocupação importante para toda a humanidade, exigindo mudanças profundas nas economias, nas relações sociais e na cultura.

 

Por Eduardo Mourão Vasconcelos - psicólogo, cientista político, doutor pela London School of Economics, e professor aposentado da UFRJ.

 

Há alguns anos, a questão do aquecimento global foi levantada como uma preocupação importante para toda a humanidade, exigindo mudanças profundas nas economias, nas relações sociais e na cultura. Foi feito o alerta sobre suas consequências no destino comum que temos no planeta, mas seus efeitos de curto prazo, como os fenômenos climáticos cada vez mais radicais (furacões, tempestades, inundações e secas) apresentam uma associação complexa e pouco visível com o atual modo de vida dominante. E assim, de forma conjunta com nossos governos e autoridades, estamos empurrando o “lixo” para debaixo do tapete.

 
Publicado: 2020-04-14 Mais...
 

DIREITO DE RESISTÊNCIA DO EMPREGADO E O COVID 19

 

Os direitos à vida, à saúde, a segurança pessoal e a segurança social, dentre outros, além da garantia de recurso efetivo para qualquer ato que viole os direitos fundamentais, são inerentes a qualquer ser humano.

Por Gabriel Oliveira Lambert de Andrade - Graduado em Direito pela PUC/RJ; Pós-Graduado em Direito do Trabalho pela Escola de Magistratura Trabalhista do TRT da 1a Região; Professor do Curso de Extensão em Compliance da PUC/RJ.

Elevados ao status de direito universal dos homens, conforme consta na Declaração Universal dos Direitos Humanos, os direitos à vida, à saúde, a segurança pessoal e a segurança social, dentre outros, além da garantia de recurso efetivo para qualquer ato que viole os direitos fundamentais, são inerentes a qualquer ser humano.

 
Publicado: 2020-04-14 Mais...
 

OS GRUPOS DE RISCO EM NOSSAS PANDEMIAS: E A VELHICE COM ISSO?

 

Por Dr. Murilo Peixoto da Mota – Sociólogo do NEPP-DH/UFRJ; PhD em Serviço Social; Coordenador -  GANIMEDES - Grupo de Estudos e Pesquisas em Diversidade Sexual e DH/UFRJ

 

Tudo indica que o novo Coronavírus está para abalar gerações. O fato é que estamos sendo confrontados com muitas questões que nos impõem imensos desafios e contradições neste momento de pandemia. A luta se amplia contra a disseminação e por assistência. E o que há de novo nessa conjuntura?



 

 
Publicado: 2020-04-13 Mais...
 

O QUE NOS AFASTA DA CIÊNCIA? REFLEXÕES EPISTEMOLÓGICAS A PARTIR DA PANDEMIA DA COVID 19

 

Por Patricia Silveira Rivero - Professora do Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos, do Núcleo de Políticas Públicas em Direitos Humanos, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PPDH/NEPP-DH/UFRJ).

Sabe aquele chazinho, de guaco e mel, que a nossa avó nos indicava? Ele não faz mal, ele faz muito bem, e até pode ajudar você a se curar da gripe comum. Mas talvez ele seja bom para a você e não para o seu vizinho, que fuma muito, tem problemas pulmonares e seu organismo tem poucas vitaminas e minerais que ajudem a aumentar a imunidade. Mas eu não sou nem médico e nem infectologista, então, sobre sua saúde não posso lhe dizer muito mais do que isso. No entanto, eu sei que você me entendeu.

 
Publicado: 2020-04-13 Mais...
 

SAÚDE E DIREITOS HUMANOS: ENSAIO PRELIMINAR SOBRE A RESPOSTA BRASILEIRA DE ENFRENTAMENTO À PANDEMIA DO CORONAVÍRUS

 

Por Richarlls Martins - professor do NEPPDH/UFRJ, doutorando em Saúde Coletiva IFF/Fiocruz, mestre em Políticas Públicas em Direitos Humanos, psicólogo/UFRJ, richarlls@hotmail.com

“Como poderiam ter pensado na peste que suprime o futuro, os deslocamentos, as discussões? Julgavam-se livres e nunca alguém será livre enquanto houver flagelos” (A Peste, Albert Camus)

“É preciso sair da ilha para ver a ilha. Não nos vemos se não saímos de nós.”  (Ensaio sobre a Cegueira, José Saramago)

Este texto apresenta considerações críticas sobre as ações em curso do governo brasileiro no campo da prevenção e mitigação dos impactos da pandemia global, causada pela transmissão do novo coronavírus no Brasil. O presente ensaio se inscreve numa análise do tempo presente e propõe ampliar o escopo conceitual da intersecção entre a saúde e os direitos humanos, com objetivo de auxiliar na integralidade da resposta pública de enfrentamento sanitário no atual quadro pandêmico.

 
Publicado: 2020-04-11 Mais...
 

O CORONAVÍRUS E A POLÍTICA INTERNACIONAL

 

Por Marcelo Coutinho - Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Muito ocupada em combater a disseminação do coronavírus nas ruas, aeroportos e hospitais, como é de se esperar, pouca atenção tem sido dada pela comunidade internacional aos efeitos geopolíticos dessa pandemia, cujos significados sociais vão muito além da medicina e da economia. Neste breve artigo, argumento que, assim como a gripe espanhola de 1918 demarcou o início do processo de mudança do poder mundial de Londres para Washington, o Covid-19 representa também um divisor de águas mórbido na política internacional, mais exatamente uma transição de poder entre os EUA e a China. Ao contrário de cem anos atrás, em que pese a guerra comercial agora em pleno vigor, não há dessa vez uma grande guerra em termos militares combinada com a pandemia. No entanto, a simbologia desses dois casos tem muitos paralelos.

 
Publicado: 2020-04-09 Mais...
 

A CRÔNICA ANUNCIADA DO CORONAVIRUS

 

 Por Ricardo Rezende Figueira - Antropólogo, professor localizado no NEPP-DH/UFRJ, coordenador do Grupo de Pesquisa Trabalho Escravo contemporâneo.

O mais forte nunca é bastante forte para ser sempre o senhor (...).

Rousseau. In O Contrato Social

O COVID-19, um vírus até então desconhecido, assustou e assusta. As notícias começaram em dezembro de 2019, na cidade chinesa de Wuhan. Três meses depois já havia infectado mais de um milhão de pessoas em 190 países (O Globo, 05/04/2020), apesar da tentativa dos chineses em detê-lo, e produziu dezenas de milhares de mortes, especialmente de “idosos, diabéticos, hipertensos e quem tem insuficiência cardíaca, renal ou doença respiratória crônica” (O Globo,12/03/2020) .

 
Publicado: 2020-04-08 Mais...
 

CONVERGÊNCIA DO TERROR

 

Por Marildo Menegat- Professor Associado do Programa de Pós-graduação em Políticas Públicas de Direitos Humanos da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

I

A oportunidade fará a exceção se tornar definitivamente regra. O covid 19 cria uma mobilização pertinente a um estado de guerra. Trata-se de uma emergência, embora ela pudesse ser enfrentada numa outra perspectiva. A doença exige cuidados e ampla divulgação das suas causas, e não de soldados e leis marciais. Que sejam os exércitos e as polícias, juntamente com o saber médico que, de todas as disciplinas, talvez seja uma das mais amigáveis ao poder e parceira de longas jornadas adentro das marchas militares, quem organiza e impõe a ordem, não é nenhum acaso. Sempre que uma situação catastrófica é ordenada pela força, é o moderno patriarcado quem está a postos e se recompondo para os próximos passos, mesmo que ele esteja totalmente implicado nas causas da peste. Da China aos EUA, passando pela Europa, as leis marciais que prendem ou multam quem sai da quarentena não têm nada de um exercício da autonomia que tanto orgulhou no passado os defensores do sujeito da modernidade. Albert Camus, num de seus contos, comenta a diferença entre uma solidão escolhida - neste caso, a do isolamento como o melhor meio para preservar a vida – e uma solidão imposta - como alguém que subliminarmente avisa que possui um poder de morte sobre todos.


 
Publicado: 2020-04-07 Mais...
 

O CORONAVÍRUS E A POPULAÇÃO REFUGIADA NO BRASIL: A “INABILITAÇÃO PARA O REFÚGIO” E O PRINCÍPIO DO NON REFOULEMENT

 

Por Pedro Teixeira Pinos Greco - Mestrando em Direito Humanos pelo NEPP/UFRJ. Professor de Direito Civil da Pós-graduação em Direito das Famílias e Sucessões da UCAM. Professor de Métodos Adequados de Solução de Conflitos da Pós-graduação em Direito Civil e Processo Civil da UCAM. Professor de Direito Civil da Faculdade Gama e Souza. Professor de Direito Civil do Curso Degrau Cultural. Advogado.

“Vivemos tempos sombrios, onde as piores pessoasperderam o medo e as melhores perderam a esperança”. Hannah Arendt

O presente trabalho fará uma análise sobre o tema da população refugiada e a sua contextualização diante da pandemia de coronavírus no Brasil, tendo como recorte temporal os meses de março e abril de 2020. Desse jeito, passaremos por esses temas, tendo como referência a Portaria nº 120 de 17 de março de 2020, a Portaria nº 125 de 19 de março de 2020, a Portaria nº 152 de 27 de março de 2020 e a Portaria nº 158 de 31 de março de 2020 todas do Executivo Federal, bem como sublinhando o instituto da inabilitação para o pedido refúgio normatizado por esses atos infra legais.



 
Publicado: 2020-04-06 Mais...
 
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