O “Tarifaço” na crise da hegemonia estadunidense: BRICS, Brasil e a reconfiguração do equilíbrio de poder
Resumo
O artigo vê o “tarifaço” do governo Trump como expressão geoeconômica da crise da hegemonia estadunidense. A partir da perspectiva dos sistemas-mundo, argumenta-se que a ofensiva tarifária revela os limites da capacidade dos Estados Unidos de sustentar sua centralidade diante da recomposição da hierarquia mundial da riqueza em função da ascensão chinesa e da consequente expansão da semiperiferia. Com base em dados do DATA-MUNDO, Banco Mundial, FMI e Comtrade, o texto examina a erosão da apropriação estadunidense da renda mundial, o papel dos BRICS como mecanismo parcial de reequilíbrio de poder e os efeitos ambivalentes do “tarifaço” para o Brasil. Conclui-se que a conjuntura atual não indica que está em curso uma sucessão hegemônica, e sim uma disputa aberta em torno da reorganização da economia-mundo capitalista.
Palavras-chave: tarifaço; BRICS; Brasil; hegemonia; economia-mundo.
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