O PROGRAMA UNIVERSIDADE PARA TODOS (UPT) NA BAHIA:
UMA REFLEXÃO SOBRE DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO, DESAFIOS E CAMINHOS POSSÍVEIS
Palavras-chave:
Democratização do Ensino Superior; Políticas Públicas Educacionais; Curso Pré-vestibular Comunitário; Juventude e Educação.Resumo
Este artigo analisa os processos de evasão discente em um departamento de ciências humanas de uma universidade pública estadual do Nordeste, entre 2015 e 2021. A partir de uma abordagem metodológica mista, que combina a análise documental de 673 registros administrativos com a escuta qualitativa de 153 egressos, investigam-se as relações entre o perfil dos estudantes, suas trajetórias de saída e a organização institucional. Os dados quantitativos atestam a efetividade das políticas de democratização do acesso, com predomínio de ingressantes via SISU (413) e de autodeclarados pretos ou pardos (416). As narrativas qualitativas, por sua vez, revelam os principais desafios à permanência: a dificuldade de conciliar estudo e trabalho (47 menções), os processos de desidentificação com o curso (27 menções) e a experiência de sofrimento psíquico (26 menções). Argumenta-se que esses fatores não representam causas isoladas, mas sintomas de um descompasso estrutural entre um modelo acadêmico tradicional e as condições concretas de vida do novo corpo discente que adentrou a universidade. Conclui-se que a consolidação da inclusão exige ir além da garantia do acesso, demandando uma revisão criativa dos mecanismos de acolhimento e integração, de modo a construir uma experiência universitária significativa e factível para todas as trajetórias sociais.
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