O PROGRAMA UNIVERSIDADE PARA TODOS (UPT) NA BAHIA:

UMA REFLEXÃO SOBRE DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO, DESAFIOS E CAMINHOS POSSÍVEIS

Autores

Palavras-chave:

Democratização do Ensino Superior; Políticas Públicas Educacionais; Curso Pré-vestibular Comunitário; Juventude e Educação.

Resumo

Este artigo analisa os processos de evasão discente em um departamento de ciências humanas de uma universidade pública estadual do Nordeste, entre 2015 e 2021. A partir de uma abordagem metodológica mista, que combina a análise documental de 673 registros administrativos com a escuta qualitativa de 153 egressos, investigam-se as relações entre o perfil dos estudantes, suas trajetórias de saída e a organização institucional. Os dados quantitativos atestam a efetividade das políticas de democratização do acesso, com predomínio de ingressantes via SISU (413) e de autodeclarados pretos ou pardos (416). As narrativas qualitativas, por sua vez, revelam os principais desafios à permanência: a dificuldade de conciliar estudo e trabalho (47 menções), os processos de desidentificação com o curso (27 menções) e a experiência de sofrimento psíquico (26 menções). Argumenta-se que esses fatores não representam causas isoladas, mas sintomas de um descompasso estrutural entre um modelo acadêmico tradicional e as condições concretas de vida do novo corpo discente que adentrou a universidade. Conclui-se que a consolidação da inclusão exige ir além da garantia do acesso, demandando uma revisão criativa dos mecanismos de acolhimento e integração, de modo a construir uma experiência universitária significativa e factível para todas as trajetórias sociais.

 

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Alice Carvalho, Universidade do Estado da Bahia

Bacharelado em Psicologia, Especialização em psicopedagogia, Técnica universitária na Universidade do Estado da Bahia.

E-mail:macsacramento@uneb.br

 

Referências

ALGEBAILE, E. Escola pública e pobreza no Brasil: a ampliação para menos. Rio de Janeiro: Lamparina, 2009.

BANDURA, A. Self-efficacy: The exercise of control. New York: Freeman, 1997.

BARDIN, L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2011.

BOURDIEU, P. A economia das trocas simbólicas. São Paulo: Perspectiva, 1998.

CARVALHO, J. J. de. Inclusão étnica e racial no Brasil: a questão das cotas no ensino superior. São Paulo: Attar, 2005.

CURY, C. R. J. Direito à educação: direito à igualdade, direito à diferença. Cadernos de Pesquisa, n. 116, p. 245-262, 2005.

DIAS SOBRINHO, J. Avaliação e transformações da educação superior brasileira (1995-2009). Campinas: Autores Associados, 2010.

DUBET, F. O que é uma escola justa? A escola das oportunidades. São Paulo: Cortez, 2004.

FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

FRIGOTTO, G. (Org.). Educação e crise do trabalho: perspectivas de final de século. Petrópolis: Vozes, 2010.

GARCÍA-HUIDOBRO, J. E. (Ed.). Hacia una política de equidad educativa en América Latina. Santiago: PREAL, 2007.

INEP. Censo da Educação Superior 2020: divulgação dos resultados. Brasília: INEP, 2021.

RAWLS, J. Uma teoria da justiça. São Paulo: Martins Fontes, 1971.

SANTOS, B. de S. A universidade no século XXI: para uma reforma democrática e emancipatória da universidade. São Paulo: Cortez, 2004.

SANTOS, R. E. dos. Ações afirmativas e educação superior no Brasil: um balanço crítico da produção. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 27, n. 80, p. 15-32, 2012.

SAWAIA, B. (Org.). As artimanhas da exclusão: análise psicossocial e ética da desigualdade social. Petrópolis: Vozes, 2001.

SEN, A. Desenvolvimento como liberdade. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

WALZER, M. Esferas da justiça: uma defesa do pluralismo e da igualdade. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

Downloads

Publicado

2026-05-12

Edição

Seção

Artigo