A CAMPANHA QUE COMEÇA ANTES DA CAMPANHA: A PRISÃO DE LULA E SUA INTERFERÊNCIA NA AGENDA PÚBLICA NO PERÍODO DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 2018

Flávia Clemente de Souza

Resumo


De acordo com o calendário eleitoral divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), dia 16 de agosto de 2018 foi, oficialmente, o primeiro dia permitido aos candidatos para começarem sua propaganda eleitoral. No entanto, o agendamento permanente de “pré-candidatos” às eleições majoritárias é uma constância. Antes mesmo da indicação oficial dos partidos aos quais se encontram vinculados, estes políticos assumem a posição de fala de futuros pleiteantes aos cargos eletivos, sem respeitar quaisquer prazos legais para as campanhas. Esta postura fica explícita em futuros candidatos à presidência, constantemente procurados pelos jornalistas para opinar, ou externando voluntariamente sua visão em busca de repercussão, sobre as mais diversas temáticas presentes na agenda pública do País. No caso específico abordado neste artigo, verificaremos como a prisão de Luiz Ignácio Lula da Silva, apontado como um dos possíveis candidatos à disputa eleitoral pela Presidência da República, influenciou decisivamente na campanha eleitoral brasileira de 2018, por meio da análise de capas das principais revistas informativas em circulação naquele período: Veja, Isto É, Época e Carta Capital. Como perceberemos por meio das capas coletadas para a pesquisa, este agendamento começou em janeiro de 2018, oito meses antes do prazo do TSE para apresentação das candidaturas. Como suporte teórico para esta análise, recorreremos à Análise de Discurso (Orlandi, Pêcheux, Charaudeau) e à Teoria do Agendamento (McCombs e Shaw).

Palavras-chave


Agendamento; jornalismo; campanha eleitoral; Lula; Análise de Discurso

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Referências


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