Palavras ao vento: voz, corpo e melodrama no cinema sonoro

Felipe Ferro Rodrigues

Resumo


Neste artigo nos debruçamos sobre o melodrama cinematográfico, tradicionalmente tido como modo de representação predominantemente visual, em que embates morais se manifestam em signos visíveis. Dentro da literatura que fundamenta a pesquisa no campo, diz-se que constitui um drama da mudez: a voz não oferece recursos suficientes para expressar adequadamente a emoção avassaladora. Essa definição, porém, torna-se frágil sob escrutínio mais cuidadoso no que tange às ideias de voz, corpo e logos. Informados por autores que versam sobre som e voz, propomos uma reformulação desse enunciado: libertando a voz do jugo da língua podemos verificar que ela persiste em sua materialidade mais natural, na forma de grito, choro, suspiro e canto. A limitação não seria, assim, da voz, mas da palavra, da capacidade da língua de expressar o inefável, e a voz corpórea, sonora, triunfaria sobre a fala, tornando o melodrama não um drama da falha da voz, mas da vitória do vocal sobre o verbal, do triunfo da voz sobre o logos.


Palavras-chave


Voz. Melodrama. Cinema.

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DOI: https://doi.org/10.47146/rbm.v33i1.33590

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