Música na era do algoritmo: entre a repetição da máquina e a aleatoriedade criativa do “Faça-você-mesmo”
Resumo
Esta análise crítica teórica confronta as práticas do Circuito Alterado e da cultura “Faça-você-mesmo” (DIY) com a ascensão das Inteligências Artificiais Generativas (Gen AI) na música. Partindo da filosofia de Heidegger sobre a técnica moderna como “armação” (Gestell), discute alguns riscos da Gen AI: crise de autoria, homogeneização cultural e desumanização da arte, contrastando com suas potencialidades. Articula a análise histórica de Attali, que vincula a música a ciclos de sacrifício, representação e repetição, com a algoritmização crescente, culminando na era do streaming e playlists. Propõe, como contraponto, práticas ruidosas e técnicas críticas, ressaltando a aleatoriedade como antídoto à estagnação. Conclui que, embora a Gen AI reforce lógicas de controle, estratégias DIY e valorização do imprevisível podem reafirmar a poiesis na criação musical, resgatando a dimensão humana de suas práticas.
Palavras-chave
Música e Tecnologia, Cultura Faça-Você-Mesmo (DIY), Inteligência Artificial Generativa (Gen AI), Ruído, Aleatoriedade
Biografia do Autor
Alexandre Marino Fernandez
Professor da Faculdade Cásper Líbero e do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, onde atua desde 2025 como Coordenador do curso de Produção Fonográfica. Mestre em Musicologia (ECA-USP), com Pós-Graduação em Composição Musical (Universidade Pompeu Fabra, Espanha) e Educação no Ensino Superior e Graduação em Comunicação Social (Anhembi Morumbi). Lecionou na Anhembi Morumbi (2005–2019), tendo sido ainda Vice-Coordenador do curso de Rádio, TV e Internet da Faculdade Cásper Líbero (2023–2025). Co-fundador do selo Al Revés e integrante da OLIB Ensemble, recebeu prêmios como a Residência LABMIS 2010 e Beca Phonos 2008 (Espanha). Atua em trilhas sonoras para cinema, teatro e sonoplastia.
