Mulheres anarquivadas
a representatividade dos arquivos pessoais de mulheres na cidade de João Pessoa (PB)
DOI:
https://doi.org/10.47681/rca.v11i.69163Palavras-chave:
arquivos pessoais, arquivos de mulheres, mulheres paraibanasResumo
Em um estudo prévio, constatou-se a discrepância entre o quantitativo de arquivos pessoais de homens e mulheres na cidade de João Pessoa. A incipiência de arquivos pessoais de mulheres no município pode ser compreendida como reflexo de um processo histórico patriarcal. O presente artigo tem como objetivo apresentar dois arquivos pessoais de mulheres custodiados em entidades mantenedoras na cidade de João Pessoa, capital da Paraíba: o de Lourdinha Luna e o de Jemima Marques. Como fundamentação teórica, considera-se a escassez de acervos de mulheres à luz das perspectivas da decolonialidade e da história do patriarcado, problematizando as estruturas que contribuem para a perpetuação da invisibilidade feminina na história e na memória coletiva. A metodologia segue uma abordagem de natureza qualitativa e descritiva, utilizando como fontes pesquisas bibliográficas e documentais. A identificação de apenas dois acervos revela a baixa representatividade de arquivos de mulheres na capital paraibana, demonstrando a necessidade de ampliar esforços e estudos para a valorização e o reconhecimento desses arquivos. Os arquivos pessoais aqui apresentados evidenciam aspectos não apenas da vida pessoal de suas titulares, mas também apontam trajetórias de atuação política e literária. Identificou-se que Jemima Marques foi uma professora do ensino superior com forte atuação na política e na educação, enquanto Lourdinha Luna integrou a Academia Feminina de Letras e Artes da Paraíba e a Academia de Letras de Areia (PB).
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