Uso de oficinas de atividades autoexpressivas pela terapia ocupacional na atenção a pessoas em sofrimento psíquico: relato de experiência/ Use of self-expressive workshops by occupational therapy in attention to people in psychic suffering: experience report

Maria de Fátima Carneiro da Rocha, Marina Araújo Rosas, Maria Gisele Cavalcanti de Oliveira, Manuela Martins da Silva, Naianna Ribeiro Mocelin dos Santos, Flávia Pereira da Silva, Ivo de Andrade Lima Filho

Resumo


Introdução: Com o advento da Reforma Psiquiátrica, a Rede de Atenção Psicossocial foi estruturada e passou a incluir as enfermarias de Saúde Mental em sua organização, incluindo, em sua equipe de trabalho, o terapeuta ocupacional. Uma das intervenções desse profissional no contexto são as oficinas de atividades autoexpressivas. Nelas, os indivíduos são estimulados a interagirem uns com os outros, a expor suas emoções, sentir-se parte de um grupo. A relação com as atividades, pessoas e materiais resulta em uma transformação interna. Objetivo: Relatar o uso de oficinas de atividades auto expressivas desenvolvidas com pessoas em sofrimento psíquico. Métodos: Trata-se de um relato de experiência, no qual foram realizadas dez oficinas de atividades autoexpressivas com os pacientes da enfermaria de psiquiatria de um hospital da cidade do Recife. As oficinas tiveram duração de 2 horas, cada uma. Foi feito um diário de bordo com as observações percebidas pela pesquisadora, além de registros fotográficos das etapas das atividades. Resultados: Os usuários relataram sentir relaxamento, alegria, esquecimento dos problemas e de que estavam no hospital. Foram estimulados a resgatarem seus papéis ocupacionais, demonstrando maior autonomia, interação interpessoal e planejamento durante a realização das atividades. Conclusão: O uso de atividade autoexpressivas estimula a criatividade e os processos criativos das pessoas em sofrimento psíquico. Espera-se motivar novos estudos sobre essa perspectiva

Palavras-chave: Arte. Hospital Geral. Saúde Mental. Sofrimento Psíquico. Terapia Ocupacional. 


Abstract
Introduction: With the advent of Psychiatric Reform, the Psychosocial Care Network was structured and started to include Mental Health wards in its organization, including the occupational therapist in its work team. One of the interventions of this professional in the context is the workshops of self-expressive activities. In them, individuals are encouraged to interact with each other, to expose their emotions, to feel part of a group. The relationship with activities, people and materials, results in an internal transformation. Objective: to report on the use of self-expression activities workshops developed with people in psychological distress. Methods: This is an experience report in which ten workshops on self-expression activities were held with patients in the psychiatric ward of a hospital in the city of Recife. The workshops lasted 2 hours each. A logbook was made with the observations perceived by the researcher and photographic records of the stages of the activities. Results: Users reported feeling “relaxation, joy, forgetting about problems and that they were in the hospital”. They were encouraged to rescue their occupational roles, demonstrating greater autonomy, interpersonal interaction and planning during the performance of activities. Conclusion: The use of self-expression activities stimulates creativity and creative processes in people in psychological distress. It is hoped to motivate further studies on this perspective.

Keywords: Art. General Hospital. Mental Health. Occupational Therapy. Psychic Suffering


Resumen

Introducción: Con el advenimiento de la Reforma Psiquiátrica, la Red de Atención Psicosocial se estructuró y pasó a incluir las salas de Salud Mental en su organización, incluyendo al terapeuta ocupacional en su equipo de trabajo. Una de las intervenciones de este profesional en el contexto son los talleres de actividades autoexpresivas. En ellos se anima a los individuos a interactuar entre sí, a exponer sus emociones, a sentirse parte de un grupo. La relación con actividades, personas y materiales, resulta en una transformación interna. Objetivo: informar sobre el uso de talleres de actividades de autoexpresión desarrollados con personas en distrés psicológico. Métodos: Se trata de un relato de experiencia en el que se realizaron diez talleres sobre actividades de autoexpresión con pacientes en la sala de psiquiatría de un hospital de la ciudad de Recife. Los talleres duraron 2 horas cada uno. Se elaboró un cuaderno de bitácora con las observaciones percibidas por el investigador y registros fotográficos de las etapas de las actividades. Resultados: Los usuarios informaron sentirse “relajados, alegres, olvidarse de los problemas y estar en el hospital”. Se les animó a rescatar sus roles ocupacionales, demostrando mayor autonomía, interacción interpersonal y planificación durante el desempeño de las actividades. Conclusión: El uso de actividades de autoexpresión estimula la creatividad y los procesos creativos en personas con malestar psicológico. Se espera motivar más estudios sobre esta perspectiva.

Palabras clave: Arte. Hospital General. Salud mental. Sufrimiento Psíquico. Terapia ocupacional. 


Palavras-chave


Arte. Hospital Geral. Saúde Mental. Terapia Ocupacional.

Texto completo:

PDF

Referências


Almeida, D. T. D., & Trevisan, É. R. (2011). Estratégias de intervenção da terapia ocupacional em consonância com as transformações da assistência em saúde mental no Brasil. Interface-Comunicação, Saúde, Educação, 15(36), 299-308. https://doi.org/10.1590/S1414-32832010005000030

Barreto, R.G. et al. (2020). Recurso terapêutico ocupacional para tratamento de delirium em pacientes com COVID-19. Revista Neurociências, 28, 1-19. https://periodicos.unifesp.br/index.php/neurociencias/article/view/11028/8114

Benetton, J. (1991). Trilhas associativas: ampliando recursos na clínica da psicose. In Trilhas associativas: ampliando recursos na clínica da psicose (pp. 113-113).

Brasil. Ministério Público Federal/Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (Org.). Cartilha Direito à Saúde Mental. Ministério Público Federal/Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, Brasília, DF, p.39, 2012. Disponível em: http://www.cfess.org.br/arquivos/cartilha-saude-mental-2012.pdf

Castilho, J. C. N. (2010). Cortina de quadrados de tecido–uma produção no hospital psiquiátrico. Cadernos de Terapia Ocupacional da UFSCar, 15(2). http://www.cadernosdeterapiaocupacional.ufscar.br/index.php/cadernos/article/view/145/102

Cavalcanti, M. A., Cavalcanti, E. C. T., & Vieira, H. (2017). Imagens do inconsciente: alianças entre arte e terapia. Revista Valore, 2(2), 259-271. https://revistavalore.emnuvens.com.br/valore/article/view/77/69

Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da Primeira Região – CREFITO 1. Saúde mental: atuação da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional. Recife, p.16, 2016. http://www.crefito1.org.br

Macedo Maia, J. T., & Leal, L. S. Contribuições da Terapia Ocupacional através de atividades produtivas e de lazer na internação hospitalar prolongada. Revista Interinstitucional Brasileira de Terapia Ocupacional, 3(4), 602-609. https://doi.org/1047222/2526-3544rbto22432

Souza, M. S., & Baptista, M. N. (2017). Associações entre suporte familiar e saúde mental. Psicologia Argumento, 26(54), 207-215. https://periodicos.pucpr.br/index.php/psicologiaargumento/article/view/19753/19065

Dodds, L. M., & Lira, L. S. S. P. (2018). A formação do técnico de enfermagem fundamentada nas diretrizes da reforma psiquiátrica e nos quatro pilares da educação. ScientiaTec, 5(2), 108-129. https://periodicos.ifrs.edu.br/index.php/ScientiaTec/article/view/2525/pdf

Faria, H. M. C., de Carvalho, J. C., & de Almeida Telles, K. M. (2017). o processo de humanização no acolhimento às famílias de pacientes hospitalizados. PSIQUE, 2(3), 95-109. https://seer.cesjf.br/index.php/psq/article/view/1240/853

Ferreira, T. P. D. S., Sampaio, J., Oliveira, I. L. D., & Gomes, L. B. (2019). A família no cuidado em saúde mental: desafios para a produção de vidas. Saúde em Debate, 43, 441-449. https://doi.org/10.1590/0103-1104201912112

Jorge, R. C. (1990). O objeto e a especificidade da terapia ocupacional. pp. 95-95. Gesto.

Lemos, A.C.S. et al. (2007). O relacionamento terapêutico no cuidado a uma portadora de transtorno afetivo bipolar: uma experiência transformadora. Revista da Rede de Enfermagem do Nordeste. 8(2):69-78. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/3240/324027958009.pdf

Maier, E. S., Mello, A. L., Siqueira, D. F., & Terra, M. G. (2017). Instrumento para encaminhamento de usuários a serviços substitutivos de saúde mental: relato de experiência. Rev Soc Hum, 30(3), 205-12. https://doi.org/10.5902/2317175827595

Melo, W. (2009). Nise da Silveira e o campo da Saúde Mental (1944-1952): contribuições, embates e transformações. Mnemosine, 5(2). https://www.epublicacoes.uerj.br/index.php/mnemosine/article/view/41432/28701

Montrezor, J. B. (2013). A Terapia Ocupacional na prática de grupos e oficinas terapêuticas com pacientes de saúde mental. Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacional, 21(3). https://doi.org/10.4322/cto.2013.055

Muniz, M. P., Abrahão, A. L., & de Melo Tavares, C. M. (2017). O controle da Sereia: trabalho e geração de renda em Saúde Mental. Revista Pró-UniverSUS, 8(2), 52-57. http://editora.universidadedevassouras.edu.br/index.php/RPU/article/view/1144

Ostrower, F. (2005). Criatividade e processos de criação. Vozes. http://editora.universidadedevassouras.edu.br/index.php/RPU/article/view/1144

Pereira, S. B., & Firmino, R. G. (2010). Arteterapia na Saúde Mental: uma reflexão sobre este novo paradigma. http://www. pergamum. univale.br/pergamum/tcc/Arteterapianasaudementalumareflexao sobreestenovoparadigma.pdf

Piergrossi, J., & Gibertoni, C. (1997). A importância da transformação interna no processo de atividade. Revista do Centro de Estudos de Terapia Ocupacional, 2(2), 36-43. https://ceto.pro.br/wp-content/uploads/2021/03/09-ceto02_piergrossi_gibertoni_a_1997-1.pdf

Ribeiro, M. C., Chaves, J. B., Silva, R. D. C. O., & de Andrade Pereira, T. (2017). O grupo de terapia ocupacional na saúde mental: a atividade como potencializadora de sociabilidade e protagonismo. Revista Psicologia & Saberes, 6(7), 99-113. https://doi.org/10.3333/ps.v6i7.763

Shimoguiri, A. F. D. T., & Costa-Rosa, A. D. (2017). Do tratamento moral à atenção psicossocial: a terapia ocupacional a partir da reforma psiquiátrica brasileira. Interface-Comunicação, Saúde, Educação, 21, 845-856. https://doi.org/10.1590/1807-57622016.0202

Teixeira, H.F. (2015). Um olhar sobre o sofrimento – para além do diagnóstico. [Monografia, Centro Universitário de Brasília] https://repositorio.uniceub.br/jspui/bitstream/235/7733/1/20944050.pdf

Tenório, F. (2002). A reforma psiquiátrica brasileira, da década de 1980 aos dias atuais: história e conceitos. História, Ciências, Saúde-Manguinhos, 9(1), 25-59. https://doi.org/10.1590/S0104-59702002000100003




DOI: https://doi.org/10.47222/2526-3544.rbto44053

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2022 Revista Interinstitucional Brasileira de Terapia Ocupacional - REVISBRATO



Indexado em:

   

           

   Resultado de imagem para REDIB