Percepções de pessoas idosas sobre práticas culturais e tradicionais paraenses
Older adults' perceptions of cultural and traditional practices in the state of Pará, Brazil
DOI:
https://doi.org/10.47222/2526-3544.rbto74892Palavras-chave:
Pessoa idosa, Região Amazônica, Cultura PopularResumo
Introdução: As práticas culturais e tradicionais são dimensões centrais da identidade e da participação ocupacional de populações amazônicas. No envelhecimento, essas práticas podem constituir recursos de sentido, pertencimento e identidade para pessoas idosas. No entanto, a percepção dos próprios sujeitos acerca dessas vivências ainda é pouco explorada na literatura gerontológica brasileira. Objetivo: Compreender a percepção de pessoas idosas acerca das práticas culturais e tradicionais paraenses. Métodos: Estudo qualitativo, descritivo e exploratório, vinculado a uma instituição de ensino superior. Participaram 22 pessoas idosas, sendo quatro homens e 18 mulheres, recrutadas digitalmente. Os dados foram coletados por meio de formulário eletrônico semiestruturado, durante quatro meses, e analisados a partir de corpus textual em formato .txt, padronizado por meio de correções, uniformização de termos e uso de palavras compostas unidas por sublinhado, a fim de preservar o sentido semântico. O corpus foi processado no IRaMuTeQ e submetido à Classificação Hierárquica Descendente. Resultados: Foram identificadas oito classes, organizadas em três eixos: Participação e bem-estar, Cultura e saberes tradicionais, e Envelhecimento e trajetória. O primeiro eixo relacionou-se às práticas culturais, à alegria, à terapia e à conexão social; o segundo, à identidade, à memória e ao pertencimento; e o terceiro, à contribuição para a autonomia e a continuidade dos papéis ocupacionais. Os achados corroboram outras pesquisas ao demonstrar que as práticas culturais paraenses promovem engajamento, autonomia e identidade cultural. Conclusão: As práticas culturais e tradicionais paraenses configuram-se como ocupações significativas e protetoras no envelhecimento, reforçando a importância de intervenções culturalmente sensíveis e de mais pesquisas sobre o envelhecimento no contexto amazônico.
Abstract:
Introduction: Cultural and traditional practices are central dimensions of identity and occupational participation among Amazonian populations. In aging, these practices may constitute resources of meaning, belonging, and identity for older adults. However, older adults’ own perceptions of these experiences remain underexplored in the Brazilian gerontological literature. Objective: To understand older adults’ perceptions of cultural and traditional practices in Pará, Brazil. Methods: This was a qualitative, descriptive, and exploratory study linked to a higher education institution. Twenty-two older adults participated, four men and 18 women, recruited digitally. Data were collected through a semi-structured electronic form over four months and analyzed as a textual corpus in .txt format, standardized through corrections, term uniformization, and the use of compound words joined by underscores to preserve semantic meaning. The corpus was processed in IRaMuTeQ and submitted to Descending Hierarchical Classification. Results: Eight classes were identified, organized into three axes: Participation and well-being, Culture and traditional knowledge, and Aging and life trajectory. The first axis was related to cultural practices, joy, therapy, and social connection; the second, to identity, memory, and belonging; and the third, to contributions to autonomy and continuity of occupational roles. The findings corroborate other studies by showing that cultural practices in Pará promote engagement, autonomy, and cultural identity. Conclusion: Cultural and traditional practices in Pará constitute meaningful and protective occupations in aging, reinforcing the importance of culturally sensitive interventions and further research on aging in the Amazonian context.
Keywords: Elderly. Amazon Region. Popular Culture.
Resumen:
Introducción: Las prácticas culturales y tradicionales son dimensiones centrales de la identidad y de la participación ocupacional de las poblaciones amazónicas. En el proceso de envejecimiento, estas prácticas pueden constituir recursos de sentido, pertenencia e identidad para las personas mayores. Sin embargo, la percepción de los propios sujetos acerca de estas vivencias aún es poco explorada en la literatura gerontológica brasileña. Objetivo: Comprender la percepción de personas mayores del Pará sobre las prácticas culturales y tradicionales paraenses. Metodología: Estudio cualitativo, descriptivo y exploratorio, vinculado a una institución de educación superior. Participaron veintidós personas mayores, cuatro hombres y dieciocho mujeres, reclutadas digitalmente. Los datos fueron recolectados mediante un formulario electrónico semiestructurado durante cuatro meses y analizados por corpus textual en formato .txt, estandarizado mediante correcciones, uniformización de términos y uso de palabras compuestas con guion bajo para preservar el significado semántico, procesado en IRaMuTeQ y sometido a Clasificación Jerárquica Descendente. Resultados: Se identificaron ocho clases organizadas en tres ejes — Participación y Bienestar, Cultura y Saberes Tradicionales, y Envejecimiento y Trayectoria — siendo el primero relacionado con prácticas culturales, alegría, terapia y conexión social; el segundo con identidad, memoria y pertenencia; y el tercero con la contribución a la autonomía y la continuidad de los roles ocupacionales. Los hallazgos dialogan con otras investigaciones, demostrando que las prácticas culturales paraenses promueven compromiso, autonomía e identidad cultural. Conclusión: Las prácticas culturales y tradiciones paraenses se configuran como ocupaciones significativas y protectoras en el envejecimiento, reforzando la importancia de intervenciones culturalmente sensibles y de mayores investigaciones sobre el envejecimiento en el contexto amazónico.
Palabras clave: Adulto Mayor. Región Amazónica. Cultura Popular.
Downloads
Referências
Brasil. (2007). Decreto nº 6.040, de 7 de fevereiro de 2007: Institui a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/decreto/d6040.htm
Bragagnolo, S. M., & Deon, M. R. (2017). Inclusão digital para a terceira idade. Revista Visão: Gestão Organizacional, 6(2). Brasil (2007). https://doi.org/10.33362/visao.v6i2.1232
Burtet, G., Fontanela, C., & Marocco, A. de A. L. (2021). A Proteção dos Conhecimentos Tradicionais: uma abordagem a partir da agenda 2030 da ONU. Revista Grifos, 31(55), 141–156. https://doi.org/10.22295/grifos.v31i55.6221
Cardinalli, I. (2025). Atividades e cotidianos na formação em Terapia Ocupacional: experiências de ação, reflexão e criação: Activities and everyday in occupational therapy training: experiences of action, reflection, and creation. Revista Interinstitucional Brasileira De Terapia Ocupacional - REVISBRATO, 9(1), 3141–3151. https://doi.org/10.47222/2526-3544.rbto65074
Cascudo, L. C. (2001). Dicionário do folclore brasileiro (11. ed.). Global.
Costa, S. L. da. (2012). Terapia ocupacional social: Dilemas e possibilidades da atuação junto a povos e comunidades tradicionais. Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacional, 20(1) 73-87. https://cadernosdeterapiaocupacional.ufscar.br/index.php/cadernos/article/view/547
da Silva, J. B., Rêgo, R. F., & Frizzo, H. C. F. (2026). Terapia ocupacional e envelhecimento ativo: Uma revisão de escopo com ênfase na prevenção primária. Kairós-Gerontologia, 29(1), 82-102. https://doi.org/10.61583/kairs.v29i1.150
de Araújo, J. P., Lobo, L. C., de Souza, R. D. C. B., Monteiro, A. X., dos Santos Melo, G. Z., & Machado, R. D. C. F. (2023). Saberes e práticas tradicionais de saúde da população amazônica. Saúde Coletiva (Barueri), 13(84), 12220-12235. https://doi.org/10.36489/saudecoletiva.2023v13i84p12220-12235
dos Santos Pereira, T., Cassiano de Souza Araújo, W., Borburema Neves Veloso, A., Maria Gomes Ferreira, L., & Andrade Abdala, G. (2025). Estilo de Vida, Exercício Físico e Saúde Mental de Idosos. Journal of Interdisciplinary Lifestyle Studies, 13, e1999. https://doi.org/10.19141/2237-3756.lifestyle.v13.n00.pe1999
González, F. E. (2020). Reflexões sobre alguns conceitos da pesquisa qualitativa. Revista Pesquisa Qualitativa, 8(17), 155–183. https://doi.org/10.33361/RPQ.2020.v.8.n.17.322
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).(2023) Censo 2022: Número de pessoas com 65 anos ou mais de idade cresceu 57,4% em 12 anos. https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/38186-censo-2022-numero-de-pessoas-com-65-anos-ou-mais-de-idade-cresceu-57-4-em-12-anos.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). (2025). Cidades@:Pará
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). (2014). Carimbó. https://bcr.iphan.gov.br/documentos-do-process/dossie-de-registro-carimbo/
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). (2021). Patrimônio cultural brasileiro. Governo Federal. https://www.gov.br/iphan/pt-br/patrimonio-cultural/patrimonio-imaterial
Kato, H., Oliveira, L., & Sousa, D. (2020). O almoço do Círio de Nossa Senhora de Nazaré em Belém do Pará: experiência cultural e gastronômica. Research, Society and Development, 9(8), e621985669. https://doi.org/10.33448/rsd-v9i8.5669
Loureiro, J. J. P. (2015). Cultura amazônica: Uma poética do imaginário. Cultural Brasil.
Morais, A., & Magalhães, R. (2020). A importância da cultura na infância: Uma perspectiva terapêutica ocupacional. Complexitas – Revista de Filosofia Temática, 4(1), 18–23. https://doi.org/10.18542/complexitas.v4i1.8040
Nascimento, R. G., Vieira, J. L., & Araújo, L. F. (2016). Percepção de idosos ribeirinhos amazônicos sobre o processo de envelhecimento: O saber empírico que vem dos rios. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, 19(3), 429–440. https://doi.org/10.1590/1809-98232016019.150121
Nascimento, R. G., Cardoso, R. D., Pinto, D., & Magalhães, C. M. (2019). Por entre pontes e rios: a tradição nos papéis ocupacionais de idosos ribeirinhos amazônicos. Revista Interinstitucional Brasileira de Terapia Ocupacional — REVISBRATO. 3(1), 9–20. https://doi.org/10.47222/2526-3544.rbto19292
Nascimento, R. G., Cardoso, R. de O., Santos, Z. N. L., Pinto, D. da S., & Magalhães, C. M. C. (2019). Rutinas de familias de ancianos ribereños amazónicos y reestructuración del papeles en la vejez. Ciencias Psicológicas, 13(1), 164–170. https://doi.org/10.22235/cp.v13i1.1818
Nascimento, R., Cardoso, R., Pinto, D., & Magalhães, C. (2022). Percepções e estratégias de idosos ribeirinhos amazônicos para manutenção da saúde. Revista Psicologia, Saúde & Doenças, 23(3), 858-869. https://doi.org/10.15309/22psd230322
Neri, A. L. (2013). Qualidade de vida na velhice: Enfoque multidisciplinar. Alínea.
Peixoto, R., & Pizolato, W. (2025). A utilização de formulários eletrônicos na coleta e análise de dados: Algumas reflexões. EaD & Tecnologias Digitais na Educação, 13(18), 87–98. https://ojs.ufgd.edu.br/ead/article/view/20403
Pires, G. S., Pereira, H., Bergma, I., & Coelho, F. (2026). Processos de cidadania cultural e engajamento ocupacional em frequentadores de festas de aparelhagem em Belém/PA. Revista NUFEN: Phenomenology and Interdisciplinarity, 17(1), 17. https://submission-pepsic.scielo.br/index.php/nufen/article/view/25175
Queiroz, P. (2016). Círio de Nazaré: identidade religiosa, histórica e cultural do povo paraense. REGRAD - Revista Eletrônica de Graduação do UNIVEM, 9(1), 196–214. https://revista.univem.edu.br/REGRAD/article/view/1320
Santos, A. C. C. dos, Magalhães, C. M. C., & Silva, I. R. da. (2026). Crenças e percepções de pessoas idosas sobre o envelhecimento e a velhice: uma revisão integrativa. Caderno Pedagógico, 23(1), e22887. https://doi.org/10.54033/cadpedv23n1-164
Santos, L. L., & Lago, I. C. (2025). Cultura e identidade territorial: dinâmicas de poder e construção social no território. Anais do XII Seminário Internacional sobre Desenvolvimento Regional — Desenvolvimento Regional em tempos de emergência climática: desafios e oportunidades. UNISC. https://online.unisc.br/acadnet/anais/index.php/sidr/article/view/25007
Silva, V., Moreira, R., Lima, K., Sales, M., & Lima, V. (2024). Prevalência da participação de pessoas idosas brasileiras em atividades avançadas da vida diária e fatores associados. Revista Brasileira de Epidemiologia. 27, e240070. https://doi.org/10.1590/1980-549720240070.2
Townsend, E., & Wilcock, A. A. (2004). Occupational justice and client-centred practice: A dialogue in progress. Canadian Journal of Occupational Therapy, 71(2), 75–87. https://doi.org/10.1177/000841740407100203
Wilcock, A. A. (2006). An occupational perspective of health (2nd ed.). Slack.
World Health Organization. (2015). World report on ageing and health. World Health Organization. https://iris.who.int/items/5db2c88f-941a-472d-ac6e-f08a7e9ae20b
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Revista Interinstitucional Brasileira de Terapia Ocupacional - REVISBRATO

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
Declaração e Transferência de Direitos Autorais
O periódico REVISBRATO -- Revista interinstitucional Brasileira de Terapia Ocupacional é publicado conforme o modelo de Acesso Aberto e optante dos termos da licença Creative Commons BY (esta licença permite a distribuição, remixe, adaptação e criação a partir da obra, mesmo para fins comerciais, desde que os devidos créditos sejam dados aos autores e autoras da obra, assim como da revista. Mais detalhes disponíveis no site http://creativecommons.org/licenses/by/3.0/).

No momento da submissão do manuscrito os autores deverão encaminhar, nos documentos suplementares a Declaração de responsabilidade, conflito de interesse e transferência de direitos autorais, segundo modelo disponivel na página "Instruções aos autores"
- Uso de imagens e discursos
Quando um autor submeter imagens para capa, que não correspondam a pesquisas em formato de artigo e que não tenham obrigatoriedade de autorização de Comitê de Ética, assim imagens presentes em outras seções, deverá ser anexado o TERMO DE CESSÃO DE DIREITO DE USO DA IMAGEM E DE DISCURSO (disponível modelo na página "Instruções aos autores"). Somente é necessário que o autor principal assine o termo e o descreva conforme o modelo abaixo em word.