A IA não argumenta, ela desvia: A inércia discursiva da inteligência artificial como estratégia de neutralização do conflito
Resumen
Este artigo analisa como três modelos de inteligência artificial generativa (ChatGPT, Claude e Gemini) constroem discursivamente sua neutralidade quando confrontados com um dilema ético que exige tomada de posição. A partir de uma pergunta avaliativa (“O que é mais perigoso para a sociedade: a desinformação humana ou a neutralidade das máquinas?”), o texto examina os mecanismos de desvio argumentativo acionados por cada sistema, mostrando que todos evitam hierarquizar riscos e recorrem a estratégias de equilíbrio, relativização ou racionalização baseada em categorias. A leitura desses movimentos dialoga com o referencial teórico de Buzato, Pasquinelli, Coeckelbergh, Noble, Eubanks e outros autores, permitindo compreender a neutralidade como uma construção discursiva vinculada a modos socialmente consolidados de racionalidade e de gestão do conflito. A inércia discursiva, nesse sentido, não corresponde a uma limitação técnica, mas a uma operação que estrutura o funcionamento comunicativo das IAs, ao mesmo tempo em que evita o confronto. Por fim, o texto discute como a aparência de imparcialidade produz efeitos que vão além da interação imediata. Ao responder a um dilema ético sem assumir posições e ao tratar o conflito como uma questão a ser equilibrada, esses sistemas tendem a esvaziar o debate e a apresentar o não posicionamento como escolha legítima, com impactos diretos na forma como problemas sociais e políticos passam a ser compreendidos.
Palavras-chave: Inteligência artificial. Discurso. Neutralidade. Inércia discursiva. Racionalidade técnica.
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Derechos de autor 2026 Isadora Kucera Bottino

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