As neo-europas e a estética do frio

Ian Alexander

Resumo


Por circunstância, por hábito, por gostar mesmo, busco automaticamente os paralelos e as divergências entre a minha cultura e a cultura
daqui, que quer dizer, na construção mais simples, entre a cultura de
quem nasceu em Sydney e aquela de quem mora em Porto Alegre. Virou automático me perguntar “com quem no meu mundo devo comparar Machado de Assis ou Simões Lopes Neto?”, “quem é o meu equivalente de Erico Verissimo ou de Nelson Rodrigues?”, “o que acontece
se eu faço a transposição para a minha cultura de Monteiro Lobato ou
de Vitor Ramil?” Leio, no encarte do CD Ramilonga: A estética do frio,
“o frio que inventa em nós uma contrapartida para cada característica
definidora dos ‘brasileiros'; o frio definidor do gaúcho, que é muito
mais brasileiro do que pensa”: como traduzir essa percepção para o meu
contexto? Olho o ensaio de Ramil, “A estética do frio”, no livro Nós,
os Gaúchos, e penso “se fosse ensaio meu, caberia em qual livro? Quem
seríamos nós?”

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