Lacoue-Labarthe e H¶lderlin: descaminhos de uma abordagem

Kathrin H. Rosenfield

Resumo


Este artigo trata dos pressupostos tácitos e provavelmente inadvertidos
da abordagem de H¶lderlin por LacoueLabarthe. Esta segue a tendência, quase
canônica, entre os filósofos da tradição heideggeriana e da desconstrução, de
tornar “estético” o discurso filosófico. Esse pressuposto impede de ver o procedimento específico de H¶lderlin, que procura, ao contrário, mostrar as virtualidades filosóficas que repousam nos nãoditos das constelações metafóricas. Como a maioria dos leitores atuais, LL não atribui importância ao fato de que H¶lderlin procura manter a diferença entre figurações poéticas implícitas e discursos filosóficos explícitos. Desatento aos três
procedimentos distintos do poeta quando 1. recria-adapta e moderniza mitos e
figuras da antiguidade (Hipérion, Empédocles), 2. quando procura traduzir
de modo fi el conteúdos semânticos e pensamentos implícitos dos poetas antigos (versões de Antígona e Édipo Rei) e 3. quando formula seu discurso teóricosistemático (fragmentos filosóficos e Observações). Lacoue-Labarthe tampouco vê que as versões de Sófocles reconstituem a unidade semântica do mito trágico (a composição sofocliana da história e do enredo). A segunda parte do artigo procura localizar na obra de Heidegger a raiz desta “estetização do filosófico”. 

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