Encantamento, desencantamento e reencantamento
DOI:
https://doi.org/10.55702/3m.v30i60.69604Palavras-chave:
encantamento, desencantamento, magia, racionalidade, músicaResumo
O artigo analisa a trajetória histórica dos conceitos de encantamento, desencantamento e reencantamento. O encantamento é definido a partir de sua origem etimológica, vinculada à magia, ao canto e à música, que expressam uma cosmovisão arcaica simbólica e espiritual. Em contraste, o desencantamento, segundo Max Weber, corresponde à desmagificação da religião e à racionalidade científica, que resultam na perda de sentido, na alienação e no niilismo moderno. O texto destaca também a crítica de Tolstói à ciência, incapaz de fornecer valores para a vida. Diante dessa crise, surge a proposta de reencantamento, inspirada em perspectivas antropológicas, feministas e decoloniais. Essas correntes buscam a reconexão com a natureza, os corpos e as comunidades. O romantismo é apresentado como um antecedente importante, ao resistir à mecanização e ao racionalismo modernos.
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