As terceiras margens do rio

Rosa, Nascimento, Veloso

Autores

DOI:

https://doi.org/10.55702/3m.v30i60.70119

Palavras-chave:

Guimarães Rosa, Milton Nascimento, Caetano Veloso, literatura, sagrado

Resumo

Nos anos 1990, uma canção de Caetano Veloso e Milton Nascimento, intitulada “A terceira margem do rio”, estabeleceu uma importante intertextualidade com o conto homônimo de Guimarães Rosa, mas também com a obra máxima do escritor, Grande Sertão: Veredas. Diante disso, o objetivo do presente artigo é analisar a canção a partir da triangulação das obras individuais de Rosa, Milton e Caetano, buscando compreender o ponto de interseção entre seus universos. Do mesmo modo, a presença de tensões entre uma perspectiva realista e os elementos místicos, míticos ou simplesmente misteriosos que atravessam o conto e a canção também serão objeto de investigação. Por fim, o entendimento da própria canção como terceira margem entre a música e a literatura, bem como entre a criação artística e a interpretação do mundo, completa a reflexão aqui proposta.

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Biografia do Autor

Rafael Julião, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Rafael Julião é professor de Literatura Brasileira da UFRJ, pesquisador das relações entre literatura e canção popular, e autor dos livros Infinitivamente pessoal — Caetano Veloso e sua verdade tropical (2017) e Cazuza — Segredos de liquidificador (2019).

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Publicado

2026-04-25