Uma hipótese de leitura do texto litúrgico do Santo Daime através da noção de formação cultural de compromisso.
DOI:
https://doi.org/10.55702/3m.v30i60.71958Palavras-chave:
Santo Daime, Liturgia, Formação cultural de compromissoResumo
Este artigo propõe uma leitura da liturgia do Santo Daime a partir da noção de “formação cultural de compromisso”, conceito inspirado em Carlo Ginzburg e Sigmund Freud. Analisa-se o processo histórico e sincrético que deu origem a essa religião brasileira, situando-a no contexto das traduções culturais entre saberes indígenas e o catolicismo popular. A partir de uma genealogia do uso da ayahuasca, identificam-se três momentos principais: o uso autóctone entre povos indígenas, a apropriação por colonos brancos no Putumayo e a institucionalização no Brasil como religião. Argumenta-se que a liturgia cantada do Santo Daime funciona como um espaço de negociação e tradução cultural, em que elementos cristãos e indígenas se articulam em uma formação híbrida e conflituosa, refletindo estratégias de resistência e adaptação frente ao colonialismo e ao poder dominante.
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