Foucault e Winnicott: a vida criativa como contraponto ao biopoder

Beatriz Gang Mizrahi

Resumo


Para Foucault o biopoder tem efeitos contínuos sobre as forças, erguendo-se supostamente em defesa da vida social. Essa forma de poder produziu um sujeito que se acreditava um perigo social a ser sempre regulado para viabilizar a vida em sociedade. Se a Psicanálise clássica contribuiu para a produção desse antagonismo entre indivíduo e sociedade, postulando o caráter anti-social das pulsões em função da pulsão de morte, Winnicott rompe com esse dito antagonismo ao abandonar o conceito de pulsão de morte. Considerando apenas a vitalidade criativa, que não se realiza na violência, mas no encontro com a potência vital de um outro, ele nos permite pensar uma ética imanente, que não depende do controle mas do cuidado de si, baseado no cuidado ambiental recebido pelo sujeito. Tal concepção pode ser aproximada da experiência de uma ética imanente que Foucault reconheceu nas amizades, pois nessas relações se busca a potência do parceiro, não a partir do controle de si, mas como forma de intensificar a própria potência criativa. Embora ambos os autores contribuam assim para inspirar formas de resistência, uma diferença pode ser percebida na ênfase que Winnicott dá à continuidade do ser como aspecto fundamental desse viver potente e criativo.

Palavras-chave


Biopoder, vitalidade, ambiente facilitador, amizade, resistência

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