DE RICOEUR À ROSSET: SOBRE A HERMENÊUTICA TRÁGICA

Marcos Beccari

Resumo


Este artigo propõe, na esteira da filosofia trágica desenvolvida por Clément Rosset, a definição de uma “hermenêutica trágica”. Para tanto, a hermenêutica de Paul Ricoeur é aqui apresentada de modo a, primeiro, evidenciar sua relação inconciliável para com o pensamento trágico e, em seguida, conduzir a reflexão para o horizonte hermenêutico do trágico, bem como à dimensão trágica da hermenêutica. Por sua vez, partindo do postulado segundo o qual o trágico falado é preferível ao trágico silencioso, a hermenêutica trágica começa por reconhecer que a fala não anula o silêncio (os significados não interferem no real), tanto quanto o silêncio não exclui a fala (a ausência de sentido inerente ao real não impede a existência e a circulação dos significados humanos). Sendo assim, ao colocar em evidência a maneira excedente pela qual interpretamos um mundo que prescinde de interpretação, a hermenêutica trágica põe-se a operar de duas maneiras subsequentes: pela desestabilização, que silencia o pensamento não trágico, e pela intensificação, que dá voz ao silêncio do mundo e do pensamento, como aprovação incondicional da existência.

Palavras-chave


Filosofia trágica, hermenêutica, interpretação, significação

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