De Quimeras Marteladas a Beira-Mar: Sobre um possível diálogo entre Lima Barreto e Nietzsche

André Mesquita Penna-Firme

Resumo


O texto propõe o tensionamento de dois autores que, pondo-se em disputa, dialogam com o seu meio e seu tempo. Traçar o Lima Barreto leitor de Nietzsche, seus juízos sobre o filósofo alemão e os possíveis desdobramentos filosóficos do referência nietzscheana numa leitura do romancista, nos permite reavaliar a fortuna crítica acerca do escritor carioca ao passo que trabalhamos a relação que a filosofia nietzscheana faz entre arte, verdade e moral de forma a deslocá-la de seu campo referencial de origem. Tal movimento, essencialmente filosófico, permite um deslocamento na leitura da obra do romancista e nos revela uma nova potência criadora de interpretações. Nesse sentido, a partir da leitura e das impressões imediatas que Lima Barreto faz do filósofo, nos vislumbra um roteiro de leitura de sua obra que revela caminhos e perspectivas outras, que permitem tensionar a bibliografia que até então se ocupou do tema.


Palavras-chave


Lima Barreto; Literatura;Verdade; Brasil; Nietzsche

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