Do livro à tela do cinema – a obra literária "Os Pássaros" e sua experimentação cinematográfica: uma problematização a partir de Gilles Deleuze

Alex Fabiano Jardim, Adhemar Santos de Oliveira

Resumo


A proposta do artigo é pensarmos a partir de Deleuze o problema da criação, em especial, a passagem de uma obra literária para o cinema, como uma ‘fabulação criadora’ e não apenas enquanto adaptação. Na perspectiva de pensarmos o movimento entre duas possibilidades de expressão, partiremos de um estudo comparativo entre a obra literária “Os Pássaros” (1936) do escritor Frank Baker, e sua adaptação para o cinema, ocorrida em 1963, sob a direção Alfred Hitchcock. É o que chamaremos de uma travessia ou processo de re-criação da obra literária para a Sétima Arte. A partir de Deleuze, problematizaremos essa passagem da literatura para o cinema a partir dos efeitos de uma experimentação subjetiva. Nesse sentido, um filme não pode ser julgado pelo critério de “fidelidade”, já que a experimentação do movimento de criação da literatura para o cinema envolve a fabulação, a invenção e a traição. Seguindo o pensamento deleuziano, o que o cineasta faz é simplesmente um “roubo”, mas para o filósofo “roubar é o contrário de plagiar, de copiar, de imitar ou fazer como”, pois para Deleuze é difícil pensar “o novo” sem retornar o já pensado e é este caminho que o cineasta faz, pois ele retorna ao romance literário para poder criar seu filme e é “roubando a ideia” do escritor que o cineasta fará a sua adaptação, uma “repetição” da obra, para criar a “diferença”, um novo o filme.


Palavras-chave


Literatura, Cinema, Filosofia, Experimentação. Criação

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Referências


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