Da civilidade pueril à semente de crápula
Um ensaio entre o homem e a alteridade radical
DOI:
https://doi.org/10.59488/tragica.v18i2.62868Palavras-chave:
Deligny, Humanismo, História da psiquiatria, Autismo, InfânciaResumo
Este ensaio propõe um encontro pela via do contraste entre a obra do teólogo humanista Erasmo de Roterdã (1466–1536) e a obra do poeta e etólogo Fernand Deligny (1913–1996). Distantes no tempo, no espaço e nos interesses, ensaia-se com eles encontros que se dão mais pela via do problema do que pela via de suas tentativas de solucioná-los. Deste ponto, avista-se a silenciosa formulação do homem como uma categoria central à emergência da norma e da psiquiatrização da infância, bem como sua possível atualização contemporânea, por meio da difusão diagnóstica do Transtorno do Espectro do Autismo. Constrói-se, assim, uma série de pontuações a fim de pôr em perspectiva problemas contemporâneos da educação, remetendo a temas que, ao parecerem atuais, têm raízes históricas e filosóficas profundas, e, ao parecerem antiquados, mostram-se somente contemporâneos pouco visitados. No interdito, explora-se o desenvolvimento das ideias educacionais de ambos os autores como uma maneira de propor perspectivas outras sobre a educação especial e a experiência com a alteridade radical.
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